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domingo, 25 de fevereiro de 2018

Amor de Deus

Quando você sente o amor de Deus sua vida muda e nada precisa ser explicado e nem entendido. Quem busca resposta e explicação é que nao sentiu a presença real do Pai. Eu sei que muitos estão buscando e sei que poucos sao os que encontraram. A vida verdadeira só começa quando se entende que Deus não é algo científico nem um fato a ser explicado. A lógica não existe quando se está repleto do Espirito de Deus.
Por anos e anos eu andei com Deus e por mais que eu tenha lido todos os livros sobre Ele ou sobre religiao e ate mesmo sobre misticismos e esoterismo. Nada em nenhum lugar foi capaz de me mover da minha experiência real de ouvir Ele e sentir o amor Dele por mim. Eu nao preciso saber como o Universo foi formado, eu sei que ele existe para que eu exista então o amor de Deus fez algo tão grandioso para que eu exista nele agora. Fatos e intrigas sobre o nome ou a aparência Dele não me importam, eu sentir o amor Dele quando acordo e quando vou dormir e ver que Ele me livrou de tudo que existe de ruim no mundo isso sim vale e vivo pensando nisso. Somente que não entende o amor de Deus fica discutindo o sexo dos anjos ou a verdadeira igreja ou religião, como sei que Ele me ama eu me preocupo em adorar Ele seja no meu quarto ou no meu banheiro. Sempre vi pessoas julgarem umas as outras e em alguns momentos eu mesmo julguei, mas quando eu ouço a voz do Pai eu percebo que nada que eu faça afasta o amor Dele por mim e penso como eu que ando com Deus sou falho mesmo assim, então sinto amor e compaixão pelos meus irmãos que sem ter o que tenho erram e erram bem menos que eu as vezes. Não julguem.
Antes eu me achava um super homem, eu destruía demônios sem nem tocar nas pessoas, somente falando para o Espirito Santo os amarrar e torturar ou pedindo para o PAI enviar anjos, mas percebi que não sou melhor que ninguém somente sou alguém que sentiu o amor do Pai e escutou a voz Dele. Tantas pessoas que ajudei pedindo ao Pai para curar e libertar, todas foram ingratas, mas não comigo e sim com ELE e mesmo assim o amor Dele nunca muda. Uma vez Ele me disse que eu sentiria o que Ele sente quando as pessoas são ingratas e não dão valor ao que Ele faz. Senti algumas vezes a decepção e percebi que é muito ruim e por isso busco nunca decepcionar Ele.
As vezes passamos por situações ruins e achamos que é o Pai que nos testa, mas não é bem assim. Estamos neste mundo como intrusos em uma terra que não é do bem e sim do mal. Fazemos de tudo pra nos parecer com o mundo e ninguém perceber que somos diferentes e não nos machucarem. Mas a luz não pode ser escondida e sempre que o mal nos vê sofremos um ataque. O segredo é estarmos sempre repletos do Espirito e da Luz e então o mal não nos verá e não nos tocará, mas isto é difícil nao vigiamos a todo momento. Devemos sempre estar atentos.
Quando o amor de Deus toca você ai você entende que nada é real neste mundo e que você precisa melhorar cada dia pra se tornar digno de estar na presença Dele e do Espirito e de Cristo.
Saber sobre Deus é uma coisa, viver a vida com Ele é outra totalmente diferente e não tem dogmas e leis. Tem somente o amor porque quando você ama, você vive para agradar e fazer a quem você  ama feliz. Mesmo que você erre um dia, você nao desiste, você para e tenta outra vez.
Eu vou começar a falar sobre tudo que aprendi nestes 33 anos andando com Deus.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

A verdade sobre o evagelho

Não somos nós quem acusamos o cristianismo atual de falso. Quem acusa é a história e os livros chamados de apócrifos. O próprio Cristo disse que o erro persistiria por séculos até a verdade ser revelada. Não existe uma igreja sequer ou congregação ou seita que esteja firmada na verdade. Todos interpretam a sua maneira aquilo que querem dizer a respeito da bíblia. Ninguém busca a verdade onde ela está. Ela foi espalhada pelo Espírito Santo é esta um pouco aqui e um pouco ali. Não está em um livro só e nem em muitos, mas está no coração daqueles que realmente conhecem a Deus e quando leem o que é verdadeiro seu coração os convence de que aquilo é o certo. Portanto não deixe que ninguém te diga no que acreditar além do seu próprio coração. Leia, investigue e procure a sabedoria e ela se deixará encontrar. Antes de sair deste mundo você tem que encontrar a salvação por que depois de ter saído não haverá oportunidade. Só choro e ranger de dentes para aqueles que negligenciaram a verdade escondida.

quinta-feira, 24 de março de 2016

O Apocalipse de Tiago

O Mestre apareceu para ele. Então Tiago encerrou sua oração e abraçou o Mestre. Ele o beijou, dizendo, "Rabino, eu te encontrei! Eu ouvi sobre seus sofrimentos e como você resistiu até o fim, e eu estive extremamente angustiado. Minha profunda compaixão você já conhece. Refletindo, eu não estava querendo ver estas pessoas neste lugar. Eles todos devem ser julgados pelo que fizeram, ao contrário do que é
esperado 
5.
O Mestre disse, "Tiago, não se preocupe comigo ou com estas pessoas. EU SOU aquele que estava dentro de mim. Eu nunca sofri de modo algum, nem estive angustiado. Estas pessoas não me fizeram mal algum. Eles vieram a ser como um tipo dos arcontes, e o que foi destruído aqui merecia ser destruído por eles. Agora que os arcontes foram enganados pelas ações destrutivas destas pessoas, e já que eu estou livre do impostor 6, os arcontes estão agora maliciosamente nervosos contigo, meu irmão, porque você é agora o pilar sobre o qual o mundo se equilibra. Até agora, eu tenho sido O Justo e você tem sido o servo dele. Agora, SEU nome será Tiago haZaddiq (Tiago O Justo).
"Você percebe o quão lúcido você ficou quando me viu? Você até mesmo parou esta oração. Agora que você é O Justo de Deus, você me reconhece o suficiente para abraçar e beijar-me. Amém! Eu te digo que você atiçou grande raiva e fúria contra si mesmo. No entanto você não temeu e você me beijou. Isto aconteceu assim para que todos estes outros possam também se tornar Zaddikim (justos)."
Tiago era brando e chorou. Ele estava bastante angustiado. Eles sentaram juntos numa pedra. O Mestre disse a ele, "Tiago, você certamente passará por sofrimentos, mas nunca esteja triste; é a carne que é fraca. A carne recebe o que foi ordenado a ela. Mas quanto a você, nunca permita que você fique tímido ou medroso frente aos arcontes por causa da carne." Então o Mestre ficou silencioso.
Quando Tiago absorveu estas palavras, ele enxugou as lágrimas dos olhos dele, pois os olhos dele estavam muito vermelhos. Então o Mestre falou para ele novamente, "Tiago, veja! Eu irei mostrar a você o seu resgate de antemão! Após você ter sido capturado e passar por grandes sofrimentos, um bando se armará contra você e te sequestrará. Em particular, três deles te capturarão – eles sentam como coletores de impostos. Não somente eles roubam impostos, mas alma. Quando você adentrar no poder deles, o guarda deles irá te chamar, 'Quem é você e de onde você veio?' Você deve responder a ele, 'EU SOU filho, e EU SOU do Pai.' Ele irá te perguntar, 'Que tipo de filho é você, e a qual pai você pertence?' Você deve dizer a ele, 'Eu sou do Pai Imortal, e um filho no Eterno Imortal.' Quando ele te perguntar, 'E o que você acha que você tem a tratar conosco?' você deve dizer a ele, 'Eu existo para que eu possa desmascarar estranhos e homens.'
"Quando ele então te questionar, 'Todos os homens são estranhos e todos nós somos estranhos?' você deve dizer a ele, 'Aqueles que eu desmascaro não são totalmente estranhos, mas eles nasceram da alienígena Achamoth 7, uma mulher decaída; pois ela produziu eles ao conduzir a raça dela abaixo do Eterno Imortal. Então estes não são inteiramente estranhos para nós, já que eles também são de nós, por conta da mãe deles ter vindo do Eterno Imortal. No entanto, eles também são estranhos porque o Eterno Imortal não participou da produção deles por ela'. Quando ele também disser a você, 'Aonde você vai?' você deve dizer a ele, 'Do lugar que vim, para lá eu retornarei.' Se você disser estas palavras, você escapará dos ataques deles.
"Quando você deparar com estes três sequestradores que roubam as almas embora naquele lugar, você será o vaso de autoridade – e muito mais do que apenas um vaso. Você será O Justo pelo qual o mundo surgiu 8. Então você será capaz de discernir a raiz tenra dela. Sendo O Justo, você estará lúcido quando você encontrar com os emissários mortíferos dela. Você chamará pelo meu nome e eu solicitarei a sabedoria imperecível do Pai, a Sofia, que é 'mãe' de Achamoth."
"Tiago, Achamoth não teve pai ou consorte masculino; ela é fêmea de uma fêmea. Ela gerou sem um macho, já que ela estava sozinha e em ignorância quanto ao que veio da mãe dela. Ela achou que ela existia sozinha como órfã. Mas eu exclamarei para a mãe dela Sofia. Quando eu exclamar, estes sequestradores cairão em confusão. Eles culparão a raiz deles e a raça da mãe deles. Mas você irá subir para Ele-que-é – sua raça raiz genuína – o Pai Eterno Imortal.
"Os doze arcontes são uma imitação dos doze discípulos e os doze em pares 9; os doze arcontes sendo aqueles enviados por Achamoth, cujo nome é geralmente traduzido de forma incorreta como 'Sofia'. Pelo contrário, EU SOU em mim mesmo a Sofia imperecível através da qual você será redimido, e através da qual se tornam todos os filhos Daquele-que-é. Estas imitações já souberam disto, e esconderam isto nelas mesmas 10.
"Mas você deve esconder o que eu te digo dentro de si e manter silêncio. Revele elas apenas para Addai. Imediatamente após você partir, guerra será travada nesta terra. Então chore por aquele que habita em Jerusalém, mas deixe Addai alerta quanto a estas coisas. No décimo ano, faça Addai sentar e escrever todas elas. Quando ele as escrever, vocês todos devem mandar estas cartas para Mateus, pois ele tem a habilidade das letras de tal modo que ele é conhecido como Levi. Então ele deve levar esta palavra, junto com minhas declarações anteriores, para uma certa mulher em Jerusalém; pois ele irá gerar dois filhos através dela. Estes filhos devem herdar minhas palavras, e, através delas, compreender aquele a quem - EU QUE SOU - exalta. Estes filhos receberão de Addai uma quantia da própria inteligência dele.
"Agora, o caçula é o mais notável dos dois. E que estas coisas permaneçam escondidas nele até que ele chegue aos dezessete anos; então tudo o que foi falado começará a acontecer por intermédio dele. Multidões perseguirão ele implacavelmente, mesmo estando rodeado de companheiros. Ele será reconhecido pelas multidões por seus trabalhos de sabedoria, e eles também proclamarão esta palavra. Mas ainda outros se tornarão a 'semente da mentira', matando as crianças dele entre as pedras lisas dos vales.' "
Tiago disse, "Eu estou lotado de coisas escondidas; sim, elas são um fardo no meu espírito. Ainda eu te pergunto: e quanto às sete mulheres que foram suas discípulas? De fato, todas mulheres te abençoam. Eu estou impressionado em como vasos fracos se tornam fortes ao descobrirem aquilo que está dentro deles." O Mestre respondeu, "As sete você conhece bem: um espírito de Deus, um espírito de sabedoria, um espírito de compreensão, um espírito de conselho, um espírito de força, um espírito de conhecimento e o espírito do medo delas – todas elas – estas mulheres são como os sete Arcontes (estrelas vivas) da nossa descida. Quando nós passamos pela respiração do arconte Adonaios; nós o reconhecemos da época anterior em que viemos. Ele não percebeu que eu vim através dele, mas depois lembrou que eu sou o filho dele. Então ele foi cortês comigo como um pai seria cortês ao seu filho. Antes de eu aparecer aqui, Adonaios lançou estes arcontes entre estas pessoas. A partir da terceira casa do céu os profetas proclamaram a queda deles. 'Como você veio a cair dos céus, Estrela d'Alva, filho da Alvorada? Seu orgulho te arremessou abaixo para Seol com a música das suas liras.' "
Tiago disse, "Rabino, eu não compreendo de que maneira você veio com estas mulheres todas juntas como um só, e por que o seu benefício está com elas, especialmente ao invés de nós, os homens de Deus." O Mestre disse, "Tiago, louvor será seu enquanto você caminhar pela terra. Eles dirão as palavras, 'Nós não cairemos enquanto Tiago O Justo permanecer sobre o solo.' Você não precisa se preocupar com estas mulheres. Livre-se do copo da amargura. Enquanto você se preocupa com estas mulheres, inimigos sem lei, alguns em lugares altos, se preparam contra você. Pois você está começando a entender as origens deles do princípio ao fim. Livre-se da indisciplina. Evite todos eles para que não te invejem. Quando você disser as palavras sobre este fardo, encorage estas quatro: Salomé, Mariam 11, Martia 12, e Arsínoe. Elas serão pilares para o pilar e alicerces para o alicerce.
Estas mulheres serão os primeiros frutos de Deus, mas não como fumaça subindo de oferendas queimadas abomináveis. Elas se erguerão imperecíveis como estrelas no caminho ascendente. Através delas, o poder de Deus se manifestará publicamente, para que os Arcontes possam testemunhar "o perecível se erguendo para a imperecibilidade, ao que o elemento feminino adquire o elemento masculino."
Tiago disse, "de fato, Rabino – para dentro destas redes, então, o caráter feminino delas foi lançado: pois elas foram insultadas, perseguidas e traídas pelos conhecidos delas." O Mestre respondeu, "Veja! Não aceite tudo de ninguém! É você quem irá receber esta compreensão para que você possa revelar os mistérios do Reino para eles, pois você é o Professor Honrado. E o que você não puder suprir, busque e você encontrará. Mas eu prosseguirei agora para revelar que estas mulheres devem perfeitamente acreditar em você, para que elas possam estar seguras na grande afirmação delas até a salvação, e esta revelação possa se cumprir."
E Tiago foi imediatamente e repreendeu os doze, e removeu deles a presunção que eles fomentavam, na ignorância deles, a respeito do Caminho. A maior parte dos discípulos, quando viram a identidade do mensageiro e ouviram a reprovação e o ensinamento dele, responderam, "Amém, que assim seja, Rabino." Mas outros, até mesmo Kefa 13, ameaçaram, dizendo "Vamos jogar este homem da altura para o chão, pois ele não é mais digno de vida." E eles pegaram Tiago. Mas aqueles outros que humildemente receberam o mensageiro ficaram horrorizados. Eles se levantaram contra seus irmãos, dizendo, "Nós não tomaremos parte em derramamento de sangue, como O Justo morrendo através da injustiça." E do meio deles, Tiago partiu. Nós não seríamos capazes de encontrâ-lo nem mesmo se o procurássemos.

O Apocalipse de Tiago



1. O texto acrescenta em parênteses, "Muito embora você não seja meu irmão de natureza."
2. arcontes – anjos e deuses governantes, sejam eles bons (do Pleroma) ou ruins (dos Universos do Caos). Geralmente os textos se referem aos regentes do Caos.
3. hebdômada – um grupo ou lugar de sete (divindades).
4. O corpo, a forma modelada servindo como recipiente do espírito falsificado dos arcontes ao invés do espírito imortal, assim sendo um hospedeiro do poder inferior.
5. Ou, "ao contrário do que se pode esperar."
6. Apocalipse de Pedro – Aquele que eles crucificaram era o primogênito na casa dos demônios, nascido de um recipiente perecível, com o qual Eloim, o deus deste mundo, fez sua vontade por meio da Lei e sua cruz.
Segundo Tratado do Grande Seth – Pois a minha morte que eles acham que aconteceu, aconteceu para eles no engano e na cegueira deles, já que eles pregaram o homem deles para a morte deles.

7. Achamoth é a arconte fêmea, o poder espiritual que veio através da Sofia (Sabedoria), e que produziu o arconte chefe, o Demiurgo chamado Yaldabaoth, criador dos universos perecíveis e seus mundos e criaturas mortais.
8. Evangelho de Tomé – 12. Jesus disse a eles: Não importa onde vocês estiverem vocês devem ir até Tiago O Justo, por quem o céu e a terra surgiram.
9. Segundo Tratado do Grande Seth – Os 12 profetas eram motivo de chacota, já que eles vieram como imitações dos verdadeiros profetas. Eles surgiram como falsificados pela Hebdômada, como se ele tivesse se tornado mais forte do que eu e meus irmãos.
10. Egípcios acreditavam que um criador inferior adicionou seres à criação que a arruinaram, eram chamados inimigos de Rá.
11. e 12. As irmãs Maria e Marta, de Betânia, irmãs de Lázaro.


13. Kefa – advinhos ou profetas.

quarta-feira, 23 de março de 2016

Décima Terceira Tabua - Ra o Faraó - Construção das Pirâmides - Bomba Nuclear - Vento Radioativo destrói tudo

Sinopse da Décima-Terceira Tabuleta

Surgem cidades reais com recintos sagrados para os deuses.
Os semideuses servem como reis e sacerdotes em palácios e templos.
Marduk promete a seus reais seguidores uma vida eterna.
No Mais Além em Sumer, Inanna estimula a crença na Ressurreição. 
Augúrios celestiais e oráculos preditórios ganham partidários. 
Marduk proclama a chegada da Era do Carneiro como seu signo. 
Ningishzidda constrói observatórios de pedra para mostrar o contrário. 
Insurreições, guerras e invasões desestabilizam as terras enlilitas.
O emissário misterioso aparece a Enlil, prediz-lhe uma calamidade. Dá instruções a Enlil para que selecione a um Homem Digno que lidere a sobrevivência. 
Enlil escolhe a Ibruum, vastago de uma família real sacerdotal.
Os exércitos postos em pé por Nabu intentam conseguir o controle do espaçoporto. 
Desautorizando a Enki, os deuses recorrem às Armas de Terror. Ninurta e Nergal arrasam o espaçoporto e as cidades pecadoras.
À deriva a nuvem nuclear leva à morte a tudo no Sumer. 
O Deus dos Montes e o Homem.

DÉCIMA-TERCEIRA TABULETA

Na Terceira Região, a Humanidade Civilizada não floresceu de todo; Inanna desatendeu o que se o havia confiado; em seu coração, cobiçava outros domínios, não os que lhe tinham concedido. Quando, na conta de mil anos, retirou a realeza ao Unug-ki, quem tivesse previsto a calamidade que ia acontecer ao final do próximo milênio, quem poderia prever o desastre?
Quem podia predizer que, em menos de um terço do Shar, ia cair uma calamidade desconhecida?
Inanna daria início ao amargo fim; Marduk, como Ra, emaranharia-se com o Destino.
Ninurta e Nergal liberariam com suas próprias mãos o inexprimível final! por que Inanna não ficou satisfeita com os domínios que lhe tinham concedido? Por que seguiu sem perdoar ao Marduk?
Viajando entre o Unug-ki e Aratta, Inanna não se sentia gratificada, estava inquieta; ainda chorava a seu amado Dumuzi, seu desejo de amor seguia sem apagar-se.
Quando voava, via a imagem trêmula do Dumuzi chamando-a nos raios do Sol, pela noite, lhe aparecia em visões-sonhos; Voltarei!, dizia-lhe.
Lhe prometia as glórias de seus domínios na Terra dos Dois Estreitos.
No recinto sagrado do Unug-ki, Inanna estabeleceu uma Casa para o Prazer Noturno.
A este Gigunu atraía com enganos e doces palavras aos jovens heróis na de seus bodas: prometia-lhes larga vida e um ditoso futuro; ela imaginava que seu amante era Dumuzi.
À manhã seguinte, a todos lhes encontrava mortos na cama de Inanna. Foi então quando o herói Banda, ao que lhe tinha dado por morto, regressou ao Unug-ki vivo! Banda tinha retornado de entre os mortos por graça de Utu, de cuja semente era.
Milagre! Milagre!, gritou Inanna excitada. Meu amado Dumuzi volta para mim! Na morada da Inanna se banhou a Banda, com uma bandagem lhe sujeitou um manto com franjas. Dumuzi, amado meu!, chamou-lhe. Atraiu-o até seu leito, enfeitada com flores. À manhã seguinte, quando viu que Banda estava vivo, Inanna gritou alegre: pôs-se em minhas mãos o poder de não morrer, através de mim se concedeu a imortalidade!
Depois, Inanna decidiu chamar-se a si mesmo deusa, implicava o Poder da Imortalidade. Nannar e Ningal, os pais de Inanna, não estavam satisfeitos com sua proclamação; Enlil e Ninurta ficaram desconcertados com as palavras de Inanna; Utu, seu irmão, ficou pensativo.
Não é possível reviver aos mortos!, disseram-se entre si Enki e Ninharsag. Nas terras de Ki-Engi, o povo elogiava a boa fortuna que tinham: Os deuses estão entre nós, eles podem abolir a morte! Assim se dizia uns aos outros entre o povo. Banda sucedeu a seu pai Enmerkar no trono do Unug-ki; Lugal, Homem Grande, foi seu título.
A deusa Ninsun, da semente de Enlil, tomou para que fora seu marido, o herói Gilgamesh, filho de ambos, sucedeu a Lugal-Banda no trono de Unug-ki. À medida que passavam os anos e Gilgamesh se fazia maior, falava a sua mãe Ninsun da vida e a morte, se perguntava sobre a morte de seus antepassados, apesar de ser descendentes dos Anunnaki. Os deuses morrem?, Perguntou a sua mãe. Também eu, ainda sendo em duas terceiras partes divino, subirei ao muro como um mortal?, perguntava a ela.
Enquanto viva na Terra, a morte de um Terrestre te confundirá!, dizia-lhe Ninsun a seu filho.
Mas se te leva ao Nibiru, obterá ali uma larga vida! Ninsun pediu ao Utu, o comandante, que se levasse a Gilgamesh ao Nibiru, Incessantemente o pediu Ninsun ao Utu, um dia atrás de outro o rogou: Que vá Gilgamesh ao Lugar de Aterrissagem!, aceitou por fim Utu. Para lhe guiar e lhe proteger, Ninharsag elaborou um idêntico de Gilgamesh.
Enkidu, Como por Enki Criado, lhe chamou, não era nascido de ventre, não tinha sangue em suas veias.
Gilgamesh viajou com seu camarada Enkidu até o Lugar de Aterrissagem, Utu fiscalizou seu progresso com oráculos; na entrada do bosque de cedros, um monstro que cuspia fogo lhes bloqueou o caminho.
Com truques conseguiram confundir ao monstro, romperam-no em pedaços. Quando encontraram a entrada secreta aos túneis dos Anunnaki, desafiou-lhes o Touro do Céu, uma criatura de Enlil de bufos mortais.
O monstro lhes perseguiu até as portas do Unug-ki; Enkidu o derrotou ante as muralhas da cidade.
Quando Enlil ouviu isto, chorou em sua angústia; seus lamentos se escutaram nos céus do Anu; pois em seu coração sabia Enlil: Realmente mau era o augúrio!
Enkidu foi castigado a perecer nas águas por ter dado morte ao Touro do Céu.
Gilgamesh, por ter sido instruído pelo Ninsun e Utu, foi absolvido do crime.
Procurando ainda a larga vida do Nibiru, Utu permitiu ao Gilgamesh que entrasse no Lugar dos Carros.
Depois de muitas aventuras alcançou a Terra do Tilmun, a Quarta Região; entrou em seus túneis subterrâneos, em um jardim de pedras preciosas se encontrou com Ziusudra!
Ziusudra relatou a Gilgamesh os acontecimentos do Dilúvio, revelou-lhe o segredo da larga vida.
No manancial do jardim crescia uma planta que impedia que envelhecessem Ziusudra e sua esposa!
Era única entre todas as novidades da Terra; um homem em seu pleno vigor a pode recolher, o Homem em sua Velhice É Jovem de novo! Esse é o nome da planta, disse Ziusudra a Gilgamesh. Um presente de Enki, com a bênção de Enlil, nos concedeu no Monte da Salvação!
Quando Ziusudra e sua esposa estavam dormindo, Gilgamesh se atou pedras aos pés. Inundou-se no manancial, tomou e arrancou a planta de Ser Jovem de novo.
Com a planta em sua bolsa, atravessou precipitadamente os túneis, encaminhou-se para o Unug-ki. Quando estava cansado, dormiu; e uma serpente se viu atraída pela fragrância da planta. A planta fez que a serpente se aproveitasse de que Gilgamesh estava dormido; com a planta se desvaneceu. À manhã seguinte, ao descobrir sua perda, Gilgamesh se sentou e pôs-se a chorar.
Voltou para o Unug-ki com as mãos vazias, ali morreu como um mortal. depois de Gilgamesh reinaram sete reis, mas no Urug-ki; logo, sua realeza tocou a seu fim.
Foi exatamente quando se completou a conta de mil anos da Terra! A realeza da Primeira Região se transferiu ao Urim, a cidade de Nannar e Ningal. Marduk tinha muito em conta todos os assuntos do que acontecia nas outras Regiões. Ra estava inquieto com os sonhos e as visões de Inanna que aludiam aos domínios do Dumuzi.
Estava decidido a rebater os planos de expansão da Inanna; encontrou muito que ponderar em questões de ressurreição e imortalidade. Resultava-lhe enormemente atrativo o pensamento da divindade, de modo que se anunciou a si mesmo como um grande deus! Ra se enfureceu pelo que lhe tinha permitido a Gilgamesh, em boa medida um Terrestre, mas estimou um caminho mais hábil com o qual conservar a lealdade dos reis e do povo:
Se aos semideuses lhes mostra o pórtico para a imortalidade, que aplique aos reis de minha região!
Assim se disse Marduk, conhecido com o nome de Ra na Segunda Região: Que os reis de minha Região que sejam descendentes do Neteru, viajem ao Nibiru na Outra Vida!
Isto decretou Ra em seu reino. Ensinou aos reis a construir tumbas orientadas ao este, lhes ditou um comprido libero aos escribas-sacerdotes, nele se descrevia com detalhe a viagem à Outra Vida.
No livro se contava como chegar ao Duat, o Lugar dos Navios Celestiais, como, dali, por meio de uma Escada ao Céu, viajar até o Planeta Imperecível, da Planta da Vida comer, beber até não poder mais das Águas da Juventude.
Ra lhes falou com os sacerdotes da chegada dos deuses à Terra. O ouro é o esplendor da vida!, disse-lhes. É a carne dos deuses!, disse Ra aos reis.
Deu instruções aos reis para fazer expedições ao Abzu e aos Domínios Inferiores para obter ouro.
Quando os reis de Ra conquistaram pela força das armas terras que não eram suas, invadiu os reino de seus irmãos, fez nascer e crescer neles a ira.
O que está tramando Marduk, perguntavam-se os irmãos entre si, que vem a nos pisotear?
Apelaram a seu pai Enki; a Ptah, seu pai, Ra não escutou.
Ra ordenou aos reis de Magan e Meluhha que capturassem todas as terras adjacentes, o plano de seu coração era ser o senhor das Quatro Regiões.
A Terra é minha, para que a governe! Assim, inflexivelmente, falou com seu pai.

Vem agora o relato de como Marduk declarou sua própria supremacia e construiu Babili, e de como Inanna, ao mando de reis guerreiros, fez correr sangue e permitiu sacrilégios. Depois de que se transferisse a realeza desde o Unug-ki ao Urim, Nannar e Ningal sorriram sobre o povo. Como correspondia a sua Fila de Trinta, a Nannar se adorava como deus da Lua; decretou doze festividades cada ano, igual ao número de meses da Lua em um ano, a cada um dos doze grandes Anunnaki lhe dedicou um mês e sua festividade. Por toda a Primeira Região, aos deuses Anunnaki, maiores e menores, lhes construíram santuários e lugares de culto, o povo podia orar diretamente a seus deuses. Na Primeira Região, a civilização do Ki-Engi se difundiu às terras vicinais, nas Cidades do Homem se designou aos governantes locais como Pastores Justos; artesãos e granjeiros, pastores e tecedores, intercambiavam seus produtos por todas as partes, se decretaram leis de justiça, honraram-se contratos de comércio, de esponsais e de divórcio.
Nas escolas, os jovens estudavam, os escribas tomavam nota de hinos, provérbios e sabedoria.
Havia abundância e felicidade nas terras; também havia disputas e usurpações. Enquanto isso, Inanna vagava com sua nave celeste de terra em terra; cerca do Mar Superior pulava com o Utu.
Foi aos domínios de seu tio Ishkur, Dudu, Amado, chamava-lhe. Inanna tomou carinho às pessoas que viviam na planície superior dos dois rios; resultava-lhe agradável o som de sua língua, aprendeu a falar sua linguagem.
Eles a chamavam pelo nome do planeta Lahamu em sua língua, Ishtar, à sua cidade, Unug-ki, chamaram Uruk; Dudu, como Adad, pronunciavam em sua linguagem.
Sem, Senhor dos Oráculos, chamaram a seu pai, Nannar; à cidade Urim a chamaram Ur.
Shamash, Sol Brilhante, chamaram o Utu em sua língua, também lhe adoravam.
A Enlil, chamavam-lhe Pai Enlil, Nibru-ki era para eles Nippur; Ki-Engi, Terra dos Vigilantes Nobres, foi chamada em sua linguagem Sumer. No Sumer, a Primeira Região, a realeza rodava entre as cidades; na Segunda Região, Ra não permitia a diversidade, ele desejava reinar sozinho. O maior do Céu, primogênito que está na Terra! Assim queria que lhe conhecesse entre os sacerdotes.
O principal desde os primeiros tempos! Assim decretou que lhe chamasse nos hinos; senhor da eternidade, que tem feito a eternidade, que preside sobre todos os deuses. Aquele que não tem igual, o grande solitário e único!
Assim se situava a si mesmo Marduk, como Ra, por cima de todos os outros deuses, por si mesmo se atribuía seus poderes e atributos:
Sou como Enlil quanto a senhorio e decretos, como Ninurta na enxada e o combate; como Adad pelo raio e o trovão, como Nannar por iluminar a noite; como Utu sou Shamash, como Nergal reino sobre o Mundo Inferior; como Gibil, conheço as profundidades douradas, de onde cobre e prata vêm; como Ningishzidda mando sobre os números e sua conta, os céus falam de minha glória!
Os líderes Anunnaki se alarmaram enormemente com estas proclamações, os irmãos de Marduk falaram com seu pai Enki, Nergal transmitiu a Ninurta suas preocupações.
O que é que passa?, disse Enki a seu filho Marduk. Inauditas são suas pretensões!
Os céus, os céus falam de minha supremacia!, respondeu-lhe Marduk a seu pai Enki.
O Touro do Céu, signo da constelação de Enlil, foi morto por seu próprio descendente, nos céus, a era do Carneiro, minha era, está chegando, os augúrios são inequívocos!
Em sua morada, no Eridú, Enki examinou o círculo das doze constelações, no primeiro dia da primavera, o começo do ano, observou-se atentamente o amanhecer; aquele dia se elevou o sol nas estrelas da constelação do Touro. No Nibru-ki e no Urim, Enlil e Nannar fizeram as observações, no Mundo Inferior, onde tinha estado a Estação dos Instrumentos, Nergal testemunhou os resultados: O tempo do Carneiro ainda é remoto, segue sendo a Era de Touro de Enlil! Em seus domínios, Marduk não se abrandava em suas afirmações. Nabu lhe ajudou, não enviou seus emissários aos domínios, para anunciar às pessoas que seu tempo tinha chegado. Os líderes Anunnaki apelaram a Ningishzidda, como ensinar ao povo a observar os céus. Em sua sabedoria, Ningishzidda desenhou estruturas de pedra, Ninurta e Ish-kur lhes ajudaram às erigir.
Nas terras povoadas, perto e longe, ensinaram às pessoas como observar os céus, mostraram às pessoas que o sol seguia saindo na Constelação de Touro. Enki observava com pesar estes acontecimentos, analisava de que forma o Fado lhe estava dando um giro imprevisto à ordem legítima: depois de declararem-se a si mesmos deuses, os Anunnaki ficaram dependentes do apoio da Humanidade! Na Primeira Região, os Anunnaki decidiram unificar as terras com um único líder, desejavam um rei guerreiro. Confiou a Inanna, a adversária de Marduk, a tarefa de encontrar um homem adequado. Inanna indicou a Enlil um homem forte ao qual tinha conhecido e amado em suas viagens, Arbakad, comandante de quatro guarnições, era seu pai, sua mãe era uma suma sacerdotisa.
Enlil lhe deu cetro e coroa, Sharru-kin, Regente Justo, designou-lhe Enlil. Como uma vez se fez no Nibiru, se fundou uma nova cidade central para unificar as terras, Agadé, a Cidade Unificada, chamaram-na, não longe do Kishi estava se localizada.
Enlil deu poderes ao Sharru-kin; Inanna acompanhava a seus guerreiros com armas de brilhantismo.
Todas as terras, desde o mar Inferior até o Mar Superior, renderam obediência a seu trono, suas tropas se estacionaram nos limites da Quarta Região, para protegê-la.
Com olho precavido observava Ra, sem pestanejar, a Inanna e ao Sharru-kin; depois, como um falcão, se arremeteu sobre sua presa: do lugar onde Marduk tinha pretendido construir a torre que alcançasse o céu, Sharru-kin considerou chão sagrado dali ao Agadé, para implantar nele o Objeto Brilhante Celestial.
Enfurecido, Marduk se equilibrou sobre a Primeira Região, com Nabu e seus seguidores chegaram ao lugar da torre.
Do chão sagrado sou o único possuidor, por mim se estabelecerá um pórtico dos deuses!
Assim, veementemente, anunciou Marduk, deu instruções a seus seguidores para que desviassem o rio.
Levantaram diques e muralhas no Lugar da Torre, construíram o Esagil, Casa para o Deus Supremo.
Babili, o Pórtico dos Deuses, chamou-a Nabu em honra a seu pai, Marduk se estabeleceu no coração do Edin, em meio da Primeira Região!
A fúria de Inanna não teve limites; com suas armas infligiu a morte aos seguidores de Marduk.
O sangue do povo, como nunca antes na Terra, corria como rios.
Até o irmão Marduk, Nergal chegou ao Babili, para lhe persuadir de que abandonasse Babili pelo bem do povo.
Esperemos pacificamente os verdadeiros sinais do céu!, disse-lhe Nergal a seu irmão.
Marduk aceitou partir, viajou de terra em terra para observar os céus, Amun, o Invisível, chamou a Ra a partir de então na Segunda Região.
Durante um tempo se aplacou Inanna, dois filhos do Sharru-kin foram seus pacíficos sucessores.
Depois, subiu ao trono do Agadé o neto do Sharru-kin; Naram-Sem, Amado por Sem, lhe chamou.
Na Primeira Região, Enlil e Ninurta estavam ausentes, tinham ido às terras de além dos oceanos; na Segunda Região, Ra não estava, viajava como Marduk por outras terras.
Inanna viu a oportunidade em suas mãos para fazer-se com todos os poderes, ordenou ao Naram-Sem que se apoderasse de todas as terras.
Deu instruções ao Naram-Sem para que partisse contra Magan e Meluhha, domínios de Marduk.
Naram-Sem cometeu o sacrilégio de cruzar a Quarta Região com um exército de Terrestres, invadiu Magan, tentou entrar no selado Ekur, Casa Que Como uma Montanha É.
Enlil se enfureceu com seus sacrilégios e suas transgressões; lançou uma maldição contra Naram-Sem e Agadé:
Naram-Sem morreu pela picada de um escorpião, por mandato de Enlil foi aniquilada Agadé.
Isto aconteceu na conta de mil e quinhentos anos da Terra.

Vem agora o relato da profecia de Galzu a Enlil, dada em uma visão;
tratava da supremacia de Marduk, de como escolher a um homem para sobreviver a uma calamidade.
Depois que Marduk se converteu no Amun, desintegrou-se a realeza na Segunda Região, reinaram a desordem e a confusão; depois que Agadé fora aniquilada, na Primeira Região reinaram a desordem e a confusão.
Na Primeira Região, a realeza estava sumida no desconcerto, transladavam-se das Cidades dos Deuses às Cidades do Homem, Unug-ki, Lagash, Urim e Kish, Isin e lugares mais longínquos, a realeza foi trocando.
Depois, Enlil, depois de consultar com Anu, depositou a realeza em mãos do Nannar; pela terceira vez se concedeu a realeza a Urim, em cujo lugar estou acostumado a seguir implantado o divino Objeto Brilhante Celestial.
No Urim, Nannar designou como rei a um Pastor Justo de homens, seu nome era Ur-Nammu.
Ur-Nammu estabeleceu a igualdade nas terras, fez pôr fim à violência e os conflitos, em todas as terras fluem abundante a prosperidade.
Foi naquele tempo que, durante a noite, Enlil teve uma visão:
Apareceu-lhe a imagem de um homem, era brilhante e resplandecente como os céus; aproximou-se e ficou de pé junto ao leito de Enlil, então reconheceu Enlil a Galzu, o do cabelo branco!
Sustentava na mão esquerda uma tabuleta de lápis lázuli, nela estavam desenhados os céus estrelados; os céus estavam divididos nos doze signos das constelações, Galzu os assinalava com a mão esquerda.
Galzu deixou de indicar ao Touro para assinalar ao Carneiro; três vezes repetiu o movimento.
Depois, na visão-sonho, Galzu falou e disse a Enlil:
O tempo justo da benevolência e da paz virá seguido pela maldade e o derramamento de sangue.
O Carneiro de Marduk substituirá ao Touro de Enlil em três porções celestiais, aquele que a si mesmo se declarou como Deus Supremo se apoderará da supremacia na Terra.
Por decreto do Fado, acontecerá uma calamidade como nunca ocorreu!
Como nos tempos do Dilúvio, terá que escolher a um homem justo e digno, por ele e por sua semente se preservará a Humanidade Civilizada, tal como pretende o Criador de Tudo!
Assim disse Galzu, o emissário divino, a Enlil na visão-sonho.
Quando Enlil despertou da visão-sonho noturna, não havia nenhuma tabuleta junto a seu leito.
Era um oráculo do céu, ou o imaginei tudo em meu coração? Perguntava-se Enlil a si mesmo.
Não lhe contou a visão-sonho a nenhum de seus filhos, Nannar entre eles, nem a Ninlil.
Entre os sacerdotes, no templo do Nibru-ki, Enlil inquiriu sobre sábios celestiais, ao supremo sacerdote indicou ao Tirhu, um sacerdote oracular.
Era descendente do Ibru, neto do Arbakad, pertencia à sexta geração de sacerdotes do Nibru-ki, estavam casados com as filhas reais dos reis do Urim. Vê o templo de Nannar no Urim, observa o tempo celestial nos céus: Setenta e dois anos da Terra é a soma de uma Porção Celestial, toma cuidadosa nota do passo de três delas!
Assim disse Enlil ao Tirhu, o sacerdote, fez-lhe contar o tempo profetizado. Enquanto Enlil refletia sobre a visão-sonho e seus portentos, Marduk ia de terra em terra.
Às pessoas ia falando de sua supremacia, ganhar seguidores era seu objetivo.
Nas terras do Mar Superior e nas terras da fronteira do Ki-Engi, Nabu, o filho de Marduk, ia incitando ao povo; seu plano era apoderar-se da Quarta Região.
Houve enfrentamentos entre os habitantes do oeste e os habitantes do este, os reis formaram hostes de guerreiros, as caravanas deixaram de andar, se levantaram as muralhas nas cidades. Está ocorrendo o que Galzu predisse! Disse Enlil a si mesmo.
Enlil pôs seu olhar sobre o Tirhu e seus filhos, descendentes de digna linhagem: Este é o homem a escolher, o que indicara Galzu!, disse Enlil a si mesmo. A Nannar, sem lhe revelar a visão-sonho, disse-lhe Enlil: Na terra entre os rios, de onde veio Arbakad, há uma cidade como Urim, será para ti e para o Ningal uma morada longe do Urim. Em sua metade, erige um santuário-templo, e ponha a seu cargo ao Príncipe-Sacerdote Tirhu! Atendendo à palavra de seu pai, Nannar fundou a cidade do Jarán na terra do Arbakad. Para que fora supremo sacerdote em seu santuário-templo enviou ao Tirhu, e a sua família com ele; quando se completaram duas porções celestiais das três profetizadas, Tirhu foi ao Jarán.
Naquele tempo, Ur-Nammu, a Alegria do Urim, caiu de seu carro e morreu nas terras ocidentais.
Seu filho Shulgi lhe sucedeu no trono do Urim; Shulgi estava cheio de baixeza e de ânsia de batalhas.
No Nibru-ki, ele mesmo se ungiu supremo sacerdote, no Unug-ki procurou os gozos da vulva de Inanna; incluiu em seu exército a guerreiros das terras montanhosas, que não serviam a Nannar, com sua ajuda, invadiu as terras ocidentais e ignorou a santidade do Centro de Controle de Missões.
Na sagrada Quarta Região pôs seu pé, Rei das Quatro Regiões se declarou a si mesmo.
Enlil se enfureceu pelas profanações, Enki e Enlil falaram sobre as invasões.
Os soberanos de sua região ultrapassaram todos os limites!, disse-lhe com rispidez Enki a Enlil.
Marduk é a fonte de todos os problemas!, replicou Enlil.
Guardando para si ainda a visão-sonho, Enlil voltou sua atenção sobre o Tirhu.
Enlil tinha posto o olhar sobre o Ibru-Um, o filho maior do Tirhu.
Ibruum era de ascendência principesca e valente, e estava familiarizado com os segredos sacerdotais.
Enlil mandou Ibruum proteger os lugares sagrados e permitir as ascensões e descidas dos carros.
Logo que Ibruum partiu do Jarán chegou Marduk a essa cidade; ele também tinha observado as profanações, considerava-as como as dores de parto de uma Nova Ordem.
Desde o Jarán, nas soleiras do Shumer, planejou seu golpe final, desde Jarán, situada ao fio dos domínios do Ishkur, dirigiu o levantamento dos exércitos.
Depois de passar vinte e quatro anos terrestres de estadia no Jarán, Marduk, com lágrimas nos olhos, fez uma chamada ao resto dos deuses, fossem quais fossem seus ascendentes.
Confessando suas transgressões, mas insistindo em seu senhorio, lhes disse assim:
OH deuses do Jarán, OH grandes deuses que julgam, conheçam meus segredos!
Enquanto me rodeio a bandagem, recordo minhas memórias:
Eu sou o divino Marduk, um grande deus, em meus domínios sou conhecido como Ra. Por meus pecados fui ao exílio, às montanhas fui, por muitas terras perambulei, desde onde o sol se eleva até onde o sol fica fui, até a terra do Ishkur cheguei. No meio de Jarán aninhei durante vinte e quatro anos, em seu templo procurei um augúrio.
Até quando? Pedi um augúrio no templo a respeito de meu senhorio. Seus dias de exílio terminaram! Dirijo-me ao oráculo no templo. OH grandes deuses que determinam os fados, deixem que me encaminhe a minha cidade, que estabeleça em meu templo Esagil uma morada imperecível, que instale um rei no Babili; que se reúnam em minha casa todos os deuses Anunnaki, aceitem minha aliança!
Assim anunciou Marduk sua chegada aos outros deuses, confessando e apelando. Os deuses Anunnaki se inquietaram e se alarmaram ante a chamada da submissão feita pelo Marduk.
Enlil convocou a todos a uma grande assembléia para tomar conselho. Todos os líderes Anunnaki se reuniram em Nibru-ki; também foram Enki e os irmãos de Marduk.
Todos estavam inquietos pelos acontecimentos, todos se opunham a Marduk e a Nabu. No conselho dos grandes deuses, as acusações se desenfrearam, as recriminações enchiam a câmara. Ninguém pode impedir o que se aproxima; aceitemos a supremacia de Marduk!, unicamente Enki aconselhou. Se se aproximar o tempo do Carneiro, prevemos a Marduk do Enlace Céu-Terra! Propôs Enlil irado.
Todos, salvo Enki, concordaram em arrasar o Lugar dos Carros Celestiais; Nergal sugeriu para isso utilizar as Armas de Terror; só Enki se opôs: Da decisão, a Terra pronunciou as palavras a Anu; Anu repetiu as palavras à Terra. O que estava destinado a ser, fracassará por sua decisão de desfazer!
Assim falou Enki enquanto partia.
Para levar a cabo a maldade escolheu-se a Ninurta e ao Nergal.

Vem agora o relato de como o Fado ou Destino levou, como passo a passo, algum dado em tempos já esquecidos, a que acontecesse a Grande Calamidade!
Fique agora registrado e recordado para sempre:
Quando se tomou a decisão de usar as Armas de Terror, Enlil guardava dois segredos para si:
A ninguém, antes que se tomasse a terrível decisão, revelou-lhe Enlil o segredo da visão-sonho do Galzu; a ninguém, até que se tomou a fatídica decisão, tinha-lhe revelado Enlil seu conhecimento do lugar onde se ocultava o terror!
Quando, a despeito de todo os protestos, o conselho permitiu o uso das Armas do Terror, quando Enki, zangado e muito turbado abandonou a câmara do conselho, Enki sorria em seu coração: Só ele sabia onde estavam ocultas as armas! Assim acreditava Enki.
Pois foi ele, antes que Enlil chegasse à Terra, que ocultou as armas, junto com o Abgal, em um lugar desconhecido.
Enki não sabia que Abgal contou o lugar a Enlil durante seu exílio!
Quando Enki se inteirou deste segundo segredo, deu refúgio em seu coração a um desejo:
Que, depois de tão larga estadia, o terror das armas se evaporou!
Pouco esperava Enki que tão larga estadia ia provocar uma calamidade como nunca antes se havia conhecido na Terra.
E assim foi que, sem necessidade de Enki, Enlil revelou aos dois heróis o lugar da ocultação:
As sete Armas de Terror moram em uma montanha!, disse-lhes Enlil.
Moram no interior de uma cavidade da terra, requer-se as revestir com o terror!
Depois, Enlil lhes revelou o segredo de como despertar às armas de seu profundo sonho.
Antes que os dois filhos, um de Enlil, um de Enki, partissem para o lugar oculto, Enlil lhes deu palavras de advertência: antes que se usem as armas, o lugar dos carros deve estar vazio de Anunnaki; as cidades devem ser perdoadas, as pessoas não devem perecer!
Em sua nave celeste, Nergal se dirigiu ao lugar oculto, Ninurta se atrasou por causa de seu pai.
Enlil desejava lhe dizer uma palavra a seu filho a sós, lhe revelar a ele sozinho um segredo: falou com Ninurta da profecia de Galzu e da eleição do Ibruum.
Nergal é irrefletido, te assegure de que as cidades são perdoadas, terá que advertir ao Ibruum!, disse-lhe Enlil a Ninurta.
Quando Ninurta chegou ao lugar das armas, Nergal já as tinha tirado da cavidade, enquanto despertava seu ME do comprido sonho, Nergal deu um nome de trabalho a cada uma das sete: à primeira arma a chamou A Que Não Tem Rival; à segunda, chama-a Ardorosa; à terceira a chamou A Que Desmorona com Terror; Fundidora de Montanhas chamou à quarta; Vento Que Busca os Limites do Mundo chamou à quinta; A Que Acima e Abaixo a Ninguém Perdoa foi a sexta; a sétima se encheu com um monstruoso veneno, chamou-a Vaporizadora do Vivente.
Com a bênção do Anu lhes deram as sete a Nergal e a Ninurta, para com elas causar a destruição.
Quando Ninurta chegou ao lugar das Armas de Terror, Nergal estava disposto para destruir e aniquilar.
Eu matarei ao filho, eu aniquilarei ao pai!, gritava Nergal com ares de vingança.
As terras que cobiçam se desvanecerão, destruirei as cidades pecadoras!
Valente Nergal, destruirá ao justo com o injusto?, perguntou-lhe Ninurta a seu camarada.
As instruções de Enlil são claras! Eu levarei o rumo aos objetivos selecionados, você me seguirás detrás!
A decisão dos Anunnaki me é conhecida!, disse Nergal a Ninurta. Ambos esperaram o sinal de Enlil durante sete dias e sete noites.
Tal como era sua intenção, quando terminou sua espera, Marduk voltou para Babili, em presença de seus seguidores, providos com armas, declarou sua supremacia; a conta de anos terrestres era então de mil setecentos e trinta e seis. Naquele dia, naquele fatídico dia, Enlil enviou o sinal a Ninurta; Ninurta partiu para Monte Mashu, depois dele ia Nergal.
O Monte e a planície, no coração da Quarta Região, inspecionou Ninurta dos céus.
Com o coração encolhido, fez um sinal a Nergal: Fique aí!, assinalou-lhe.
Então, Ninurta soltou dos céus a primeira arma de terror; com um resplendor, o topo do Monte Mashu se rachou, as vísceras do monte se fundiram em um instante.
Sobre o Lugar dos Carros Celestiais liberou a segunda arma, com o resplendor de sete sóis, as rochas da planície se converteram em uma ferida chorreante, a Terra se sacudiu e se desmoronou, os céus se obscureceram depois do resplendor; a planície dos carros se cobriu de pedras queimadas e trituradas, de todos os bosques que tinham rodeado a planície, só três troncos ficaram em pé.
Feito!, exclamou Ninurta da nave celeste, seu Divino Pássaro Negro.
Do controle que Marduk e Nabu tanto cobiçavam lhes privou para sempre!
Então, Nergal desejou emular a Ninurta, seu coração lhe urgia a ser Erra, o Aniquilador; seguindo o Meio-fio do Rei, voou até o verde vale das cinco cidades.
Nergal planejava esmagar o verde vale onde Nabu estava convertendo às pessoas, esmagá-lo como um pássaro enjaulado!
Sobre as cinco cidades, uma atrás de outra, Erra enviou uma arma de terror dos céus, destruiu por completo as cinco cidades do vale, converteram-se em desolação.
Com fogo e enxofre foram arrasadas, tudo o que ali vivia se converteu em vapor.
Com tão terríveis armas, as montanhas se vieram abaixo, a barreira que continha as águas do mar se partiu, as água do mar se derramaram no vale, o vale ficou alagado pelas águas; quando as águas se derramaram sobre as cinzas das cidades, elevou-se o vapor para os céus.
Feito!, gritou Erra em sua nave celeste. No coração do Nergal já não havia vingança.
Inspecionando sua maligna obra, os dois heróis ficaram confundidos com o que viram: os resplendores foram seguidos pelo obscurecimento dos céus, depois ficou a sopro a tormenta.
Formando redemoinhos dentro de uma escura nuvem, um Vento Maligno levava a penumbra dos céus, com o transcurso do dia, o Sol desapareceu sobre o horizonte com a escuridão, com a noite, um pavoroso resplendor desenhava suas bordas, fez desaparecer à Lua quando saía.
Quando chegou o amanhecer do dia seguinte, do oeste, do Mar Superior, ficou a sopro um vento de tormenta, a nuvem marrom escura se dirigiu para o este, para as terras habitadas se estendeu a nuvem; ali aonde chegava, trazia sem misericórdia a morte a tudo o que vive; do Vale de Sem, sem compaixão, engendrada pelos resplendores, a morte foi transportada para o Sumer. Ninurta e Nergal deram a voz de alarme a Enlil e Enki: Implacável, o Vento Maligno leva a morte a todos! Enlil e Enki transmitiram o alarme aos deuses do Sumer: Escapem!
Escapem!, gritaram a todos. Que se disperse o povo! Que o povo se oculte! Os deuses fugiram de suas cidades, como pássaros assustados escaparam de seus ninhos.
Os habitantes das terras caíram sob as garras do Vento Maligno; inútil foi sua carreira.
Sigilosa era a morte, atravessava os muros mais grossos como as águas de uma inundação, não havia porta que pudesse lhe deixar fora, nem ferrolho que pudesse lhe impedir o passo.
Aqueles que, detrás de portas fechadas, ocultaram-se dentro de suas casas, como moscas caíram, aqueles que fugiram às ruas, nas ruas amontoaram seus cadáveres.
Os peitos cheios de cuspes e escarros, as bocas transbordantes de saliva e espuma; quando o Vento Maligno apanhava às pessoas sem ser visto, suas bocas se empapavam em sangue.
Lentamente soprou o Vento Maligno sobre as terras, cruzou do oeste a este sobre planícies e montanhas; tudo o que vivia, depois dele ficava morto e moribundo, a gente e o gado pereciam por igual.
As águas se envenenaram, nos campos se murchou toda vegetação.
Desde o Eridú no sul até o Sippar no norte, o Vento Maligno arrasou o país.
Babili, onde Marduk tinha declarado a supremacia, livrou-se do Vento Maligno.