Mostrando postagens com marcador adão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador adão. Mostrar todas as postagens

domingo, 27 de março de 2016

Apocalipse de Moisés




1Esta é a história e a vida dos protoparentes, Adão e Eva. Ela foi revelada por Deus ao seu servo Moisés, quando recebeu as Tábuas da Lei das mãos do Senhor. Fui-lhe transmitida pelo Arcanjo Miguel. E a história de Adão e Eva. Depois que abandonaram o Paraíso, Adão tomou a sua mulher Eva e dirigiu-se para o Oriente. Lá permaneceu por dezoito anos e dois meses. Então Eva concebeu e deu à luz dois filhos, Diaphotos, que se chamou Caim, e Amilabes, que se chamou Abel.
2 Estando Adão e Eva juntos e a dormir, Eva relatou a Adão, seu senhor: "Meu senhor! Eu vi nesta noite em sonho o sangue do meu filho Amilabes, chamado Abel, escorrendo para a boca do seu irmão Caim, e este bebia-o sem compaixão. Aquele suplicava para que lhe deixasse pelo menos um pouco. Mas este não parava; sorveu-o todo. Mas não ficou no seu corpo; sua boca devolveu-o". E disse Adão a Eva: "Levantemos! Vamos até lá! Precisamos ver o que está acontecendo com eles; talvez estejam sendo agredidos pelo inimigo!"
3 Assim, ambos foram até lá e encontraram Abel trucidado pela mão do seu irmão Caim. E Deus disse ao Arcanjo Miguel: "Dize agora a Adão: 'Não contes ao teu filho Caim o segredo que é do teu conhecimento! Ele é um filho da ira. Mas não te perturbes! Eu te darei um outro filho em seu lugar. E este te revelará ludo o que deverás fazer com ele. lias a ele não digas nada!'." Isso falou o Arcanjo a Adão. E Adão guardou a palavra em seu coração, juntamente com Eva, ambos entristecidos por causa de Abel, seu filho.
4 Então Adão conheceu sua mulher; ela engravidou e deu à luz Seth. E disse Adão a Eva: "Geramos um outro filho em lugar de Abel, que Caim assassinou. Vamos agora louvar a Deus e oferecer-lhe um sacrifício!"
5 E Adão em seguida gerou mais trinta filhos e trinta filhas. E ele viveu 930 anos. Depois adoeceu e clamou em alta voz: "Venham todos os meus filhos para junto de mim, para que eu os possa ver mais uma vez, antes da minha morte!" Todos compareceram; uma terça parte da terra já era habitada. Chegaram todos à porta da casa em que ele entrai-a, para rezar a Deus. Então falou-lhe o seu filho Seth: "Pai Adão! Que enfermidade te acometeu? Ele respondeu: "ó meus filhos! Atormenta-me uma grande dor" Perguntaram eles: "Que é dor e doença?" Disse-lhe depois Seth.
6 "Pai! Talvez estejas pensando naquilo que comeste no Paraíso não será por isso que estás tão perturbado? Se for isso fala-me! Eu irei ao Paraíso e de lá trarei a fruta. Espalharei pó na minha cabeça chorarei e implorarei, para que o Senhor me escute e me mande o seu Anjo. Eu haverei de trazer-te a fruta para que termine o teu sofrimento". A isso retrucou Adão: "Não, meu filho Seth! Eu sinto dor e mal-estar". Disse-lhe o filho Seth: "Como estes te sobrevieram?"
7 Então falou Adão: "Quando Deus nos criou, a mim e vossa mãe, por causa de quem devo sofrer a morte, Ele nos ofereceu todas as árvores do Paraíso; de uma só delas proibiu-nos comer; se dela comêssemos, haveríamos de morrer. Na hora, porém, em que os Anjos, custódios de vossa mãe, subiram ao alto para adorar o Senhor, o inimigo encontrou-a sozinha e deu-lhe de comer daquela árvore. Ele sabia que nem eu nem os santos Anjos estavam por perto. Ela deu-me de comer também a mim.
8 "E Deus veio a nós, cheio de ira. O Soberano chegou ao Paraíso, colocou o seu trono no meio dele. Então chamou-me com voz terrível: 'Adão, onde estás? Por que motivo te escondes de mim? Pode uma casa ocultar-se do seu construtor?' Ele falou-me: `Por teres descumprido o meu pacto, eu enviarei setenta e duas pragas sobre o teu corpo. A primeira praga dolorosa é a dor dos olhos; a segunda praga dolorosa é a pressão dos ouvidos. Assim, uma após outra, elas virão sobre todos os teus membros'."
9 Depois de ter dito isso aos seus filhos, Adão suspirou gemendo, e falou: "Que devo fazer? Estou em grande aflição". Então disse Eva, em lagrimas: "Adão, meu Senhor! Dá-me a metade do teu mal! Desejo carregá-la em mim; por minha causa isso te acontece; por minha causa estás no cansaço e no sofrimento". E Adão disse a Eva: "Levanta-te! Vai com o nosso filho Seth ao Paraíso! Espalhai terra sobre a vossa cabeça, chorai, suplicai a Deus que tenha compaixão de mim, que mande o Anjo ao Paraíso para dar-me da árvore da qual escorre o óleo! Trazei-me esse óleo, para que eu possa ungir-me e encontrai a paz! Depois eu direi como na primeira vez caímos no engano."
10 E Seth e Eva dirigiram-se à área do Paraíso. E a caminho, Eva percebeu que o seu filho estava sendo atacado por um animal selvagem. Ela então gritou em lágrimas: "Ai de mim! Ao chegar o dia da Ressurreição, todos os pecadores me amaldiçoarão, dizendo:
Eva transgrediu o mandamento do Senhor'. Eva então dirigiu-se à fera e exclamou:
11 "O tu, animal mau! Não tens receio de estares lutando contra quem é feito à imagem de Deus! Por que motivo abriu-se à tua boca? Por que se arreganharam os teus dentes? Por que não consideraste que foste submetido àquele que fui criado à imagem de Deus?" Então a fera gritou: "Eva!Teus lamentos e teu choro não nos atingem. Atingem apenas a ti! Foi somente por tua causa que se estabeleceu o domínio das feras. Por que abriu-se a tua boca para comer do fruto da árvore? Deus proibiu-te terminantemente comer do seu fruto. Também a nossa natureza modificou-se por causa disso. Não tens como justificar-te, em face da minha acusação."
12 Seth falou então à fera: "Cala a tua boca e fica em silêncio! Afasta-te da imagem de Deus, até o dia do Julgamento!" Disse então a fera a Seth: "Eu abandono a imagem de Deus". Fugiu deixando Seth ferido e refugiou-se na sua toca.
13 Seth então dirigiu-se com sua mãe ao Paraíso. Lá choraram e suplicaram a Deus que mandasse o seu Anjo a fim de conceder-lhes o óleo da misericórdia. E Deus enviou a Seth o Arcanjo Miguel, que assim lhe falou: "Homem de Deus! Não te esgotes em rogos e súplicas pela árvore da qual flui o óleo, para ungir o teu pai Adão! Não poderás recebê-la agora, mas somente nos últimos tempos. Então toda carne ressurgirá, desde Adão até aquele grande Dia; e lodos constituirão um povo santo. A eles serão concedidas às delícias plenas do Paraíso, e Deus estará no seu meio. Não pecarão mais diante d'Ele. Ser-lhes-á retirado o coração mau e ser-lhes-á dado um coração que consente unicamente no bem, e assim somente a Deus hão de sei-vir. Torna agora ao teu pai! A medida de sua existência completa-se no prazo de três dias. Quando a sua alma sair do seu corpo, tu verás a sua ascensão prodigiosa."
14 Após essas palavras, o Anjo afastou-se deles. Seth e Eva voltaram para a cabana em que jazia Adão. E Adão falou a Eva: "Por que fizeste isso, atraindo sobre nós a grande ira e a morte que domina toda a nossa geração?" E falou-lhe ainda: "Chama todos os nossos filhos e filhos dos filhos! E dize-lhes claramente como nós pecamos!"
15 E Eva falou-lhes: "Escutai todos, meus filhos e meus netos: desejo narrar-vos agora como o inimigo nos seduziu, Quando guardávamos o Paraíso, cada um de nós cuidava daquela parte que lhe fora confiada por Deus. Eu cuidava da minha parte, ao Sul e ao Oeste. Então o demônio penetrou na área que tocava a Adão, e onde se encontravam os animais de sexo masculino. Deus também repartiu os animais entre nós: ao vosso Pai confiou todos os de sexo masculino e a mim os de sexo feminino. Assim, cada um de nós vigiava a sua própria parte.
16 "Então o demônio dirigiu-se à serpente e disse: Vamos! Chega junto a mim! O que vou dizer-te será de grande beneficio para ti!'A serpente então aproximou-se dele, e o demônio falou-lhe da seguinte maneira: 'Ouvi dizer que és o mais inteligente de todos os animais; acabo de conhecer-te agora. Julgo que és mais importante do que todos os outros animais que estão à tua volta. Como podes adorar aqueles que são muito inferiores a ti? Por que comes as ervas más de Adão e de sua mulher, e não daquela fruta do Paraíso? Vamos! Haveremos de conseguir que ele seja expulso do Paraíso, por causa da mulher, assim como nós fomos expulsos por causa dele'. Retrucou-lhe a serpente: 'Mas eu tenho medo que a ira do Senhor caia sobre mim'. Disse-lhe o demônio: 'Não tenhas nenhum receio! Sejas agora apenas meu instrumento! Eu pronunciarei uma palavra através da tua boca; com isso conseguirás seduzi-lo.'
17 "A serpente em seguida pendurou-se no muro do Paraíso. Ao chegar a hora em que os Anjos de Deus vinham para prestar-lhe adoração, Satanás assumiu a lontra de Anjo e louvava a Deus Semelhantemente aos outros Anjos. Debrucei-me então sobre aquele muro e vi-o semelhante a um Anjo. Ele perguntou-me: 'Tu és Eva?'Eu respondi: 'Sim, eu sou Eva'. Perguntou ainda: 'Que fazes no Paraíso?' Eu disse: 'Deus colocou-nos aqui para guardá-lo, e também para comer dos seus frutos'. Nesse momento, o demônio falou-me através da boca da serpente: 'Grande é a vossa sorte. Todavia, não comeis de todas as árvores'. Então eu disse: 'De todas as árvores podemos comer, menos de uma, e ela se encontra no meio do Paraíso. Deus proibiu-nos de comer o seu fruto; do Contrário, havereis de morrer, disse-nos Ele.'
18 "Então a serpente voltou-se para mim e disse: 'Por Deus! Muito eu lamento por vós; sois insensatos como os animais. Não vou deixar-vos permanecer no engano. Não! Vem, segue o meu conselho, e come! Descobrirás então o verdadeiro valor da árvore'. Eu respondi: 'Tenho medo que Deus lance a sua ira sobre mim, da forma como nos ameaçou'. Ela retrucou-me: 'Não tenhas medo nenhum! No momento em que provares do fruto, abrir-se-ão os teus olhos. Sereis como deuses, tendo o conhecimento do que é bom e do que é mau. Deus sabe que seríeis iguais a Ele, e por isso foi por ciúme unicamente que Ele vos disse: 'Não podeis comer dela'. Observa bem a árvore! Verás como ela é magnífica'. Eu lhe disse: 'Ela é um deleite para os olhos. Todavia, eu os colherei para ti. Segue-me!' Eu abri as portas, ela entrou no Paraíso e seguia na minha frente.
19 "Depois de curto caminho percorrido, ela se voltou para mim e disse: 'Estou arrependida; é melhor que eu não te dê desse fruto para comer'. Mas ela disso isso apenas com a intenção de deixar-me completamente fascinada e apressar a minha ruína. Disse-me então: 'Jura-me que darás de comer também ao teu marido!' Eu respondi-lhe: 'Não sei com que juramento devo eu jurar. Mas o que é do meu conhecimento, isso eu te direi: juro pelo trono do Senhor, pelos Querubins e pela Arvore da Vida! Eu darei de comer também ao meu marido'. Tão logo ela obteve de mim o juramento, aproximou-se da árvore e subiu. Então inoculou na fruta, que me estendia para provar, o veneno da transgressão e da cobiça. O desejo é sempre o começo de todos os pecados. Dobrei o ramo ao chão, colhi a fruta, e comi.
20 "Na mesma hora abriram-se-me os olhos e reconheci: estou despojada da honestidade que me envolvia. Chorei, e disse: 'Por que assim me iludiste? Estou privada da glória da qual me revestia!' Deplorei também o juramento. Ela porém desceu da árvore e tornou-se invisível. Eu procurei por folhas na minha área para esconder as minhas vergonhas. Mas não encontrei nenhuma nas árvores do Paraíso. Pois quando comi, todas as árvores da minha parte deixaram cair as folhas, menos a figueira.
21 "Tomei das suas folhas e com elas fiz para mim uns aventais. Foi dessa árvore que eu comi. Chamei em alta voz: 'Adão, Adão onde estás? Depressa! Vem até aqui! Mostrar-te-ei um grande segredo!' E o vosso Pai veio; e eu lhe disse as palavras pérfidas que nos despojaram do nosso grande esplendor. Ao chegar ele junto de mim, abri a minha boca, mas quem falava por ela era o demônio. Comecei então a encorajá-lo: Vamos Adão, meu Senhor! Escuta o que vou te dizer! Come o fruto da árvore que Deus nos proibiu de comer! Ficarás igual a Deus'. Vosso Pai então disse: 'Tenho muito medo de que Deus vá irar-se contra mim'. Retruquei-lhe: 'Não tenhas receio algum! Tão logo tiveres comido a fruta, reconhecerás o bem e o mal'. Não demorei muito a convencê-lo; ele comeu. imediatamente abrira-se-lhe os olhos; também ele viu as suas vergonhas. Disse-me: 'ó mulher má! Que nos arranjaste agora? Acabaste de espoliar-me da glória de Deus.'
22 "Na mesma hora, ouvimos o Arcanjo Miguel tocar a trombeta, enquanto os Anjos clamavam: 'Eis o que diz o Senhor: vinde ao Paraíso comigo, para ouvirdes as palavras pelas quais sentenciarei Adão!'Ao escutarmos a trombeta do Arcanjo, logo pensamos: Deus vem ao Paraíso para julgar-nos. Por isso fomos possuídos de grande medo, e procuramos um esconderijo. Deus porém dirigiu-se ao Paraíso num carro de Querubim; e os Anjos O louvavam. Quando Deus entrou no Paraíso, todas as árvores, tanto na área de Adão como na minha, brotaram de novo, e o trono d'Ele foi armado junto à Arvore da Vida.
23 "E Deus chamou Adão: 'Adão, onde te escondeste? Pensas por acaso que Eu não te encontraria? Pode uma casa ocultar-se do seu construtor? Então disse o vosso Pai: Senhor! Não nos escondemos na crença que não nos acharias. Eu estou angustiado por estar nu, e tenho muito medo diante do teu poder, ó Senhor'. Deus falou-lhe: `Quem te fez ver que estavas nu? Deves ter desrespeitado a prescrição que te fiz para ser cumprida'. Então Adão recorreu às palavras que eu pronunciara para ele, quando covardemente procurava seduzi-lo: 'Quero proteger-te diante de Deus'. Ele então voltou-se para mim e disse: `Por que fizeste isso?'Lembrando as palavras da serpente, eu disse:
24 "A serpente seduziu-me. Deus falou a Adão: 'Não obedeceste à minha palavra; escutas-te tua mulher. Então que a terra seja maldita ao teu trabalho! Se a cultivas, negue-te a colheita! Produza cardos e espinhos! Comerás agora o teu pão com o suor do teu rosto! Muitas fadigas te sobrevirão, ficarás cansado, mas não conhecerás descanso. Oprimido pela amargura, não provarás nada do que é doce; abatido pelo calor, serás privado do refrigério! Esfalfar-te-ás no trabalho, todavia não ficarás mais rico; mesmo tornando-te forte, tua vida acabará! Os animais, dos quais eras o senhor, levantar-se-ão contra ti em rebelião, porque não observaste o meu preceito..
25 "Então voltando-se para mim, disse o Senhor: 'Tu escutaste a serpente e não seguiste minha palavra. Assim, sofrerás as dores do parto e outras aflições terríveis. Trarás ao mundo os teus filhos em meio a muitas dores! Na hora do teu parto, pela sua grande premência e dor, quererás deixar a vida. Dirás sinceramente: 'Senhor, Senhor! Salva-me!' Jamais Eu terei contemplação para com o pecado da carne. Por isso Eu te julgo segundo a tua palavra, segundo a inimizade que o Inimigo introduziu em ti. Serás submissa ao teu marido; e ele será o teu Senhor.'
26 "Após ter-me dito isso, voltou-se com grande ira para a serpente e falou: 'Por teres perpetrado isso, servindo de instrumento abominável, iludindo a ingenuidade, serás maldita entre todos os animais! A comida que comias ser-te-á tirada. Comerás o pó da terra por toda a tua vida! Rastejarás sobre o peito e o ventre, privada de mãos e pés! Não terás nem orelhas, nem asas, nem qualquer outro dos teus membros! Na tua maldade tu os seduziste e fizeste com que fossem obrigados a abandonar o Paraíso. Porei inimizade entre ti e a mulher. Ela atentará contra a tua cabeça, e tu atentarás contra o seu calcanhar, até o Dia do Juízo.'
27 "Depois de ter dito isso, ordenou aos seus Anjos que nos banissem do Paraíso. Em prantos, fomos expulsos. Então o vosso pai Adão suplicou aos Anjos: 'Dai-me um pouco de tempo para que eu possa dirigir a Deus um pedido de compaixão e que tenha misericórdia de mim! Pois somente eu pequei'. Os Anjos se detiveram e suspenderam a expulsão. Adão nesse momento exclamou em lágrimas: 'Perdoa-me, Senhor, pelo que eu fiz! Disse então o Senhor aos seus Anjos: `Por que suspendestes a expulsão de Adão do Paraíso? Cometi eu um engano, e por acaso sentenciei sem Justiça?' Então aqueles Anjos prostraram-se ao chão e adoraram ao Senhor, dizendo: `Senhor! Tu és justo, e justos são os teus julgamentos.'
28 "Depois disso, o Senhor disse a Adão: 'A partir desta hora não te tolerarei mais por um instante no Paraíso. E Adão falou: `Senhor! Dá-me de comer da Arvore da Vida, antes de ser expulso!' Então o Senhor disse a Adão: `Neste momento nada poderás receber dela. Foi ordenado aos Querubins e à sinuosa espada flamejante que te guardassem bem dessa árvore, para que dela não comesses, para que não te tornasses imortal por toda a eternidade. Sustenta a luta que te foi armada pelo Inimigo! Mas se ao saíres do Paraíso te guardares de todo mal, e te mostrares preparado para a morte, eu te despertarei no dia da Ressurreição. Então ser-te-á dado da Árvore da Vida, para que sejas imortal para sempre.'
29 "Após essas palavras, o Senhor ordenou-nos sair do Paraíso. E o vosso Pai chorou diante dos Anjos, nos limites do Paraíso. Os Anjos perguntaram-lhe: `Que podemos fazer por ti, Adão?' Então o vosso Pai disse-lhes: Vede, vós me expulsais. Peço-vos apenas uma coisa: deixai-me levar comigo algumas ervas aromáticas do Paraíso, para que depois da minha saída eu possa oferecer sacrifícios a Deus, e assim ser atendido por Ele!' Então os Anjos se aproximaram de Deus e disseram: 'Jael, Rei Eterno! Dá ordem para que deixemos Adão levar consigo do Paraíso algumas espécies dolorosas!' Deus permitiu e Adão pôde levar do Paraíso especiarias odoríferas e sementes, para seu entretenimento. Os dois Anjos deixaram Adão recolher algumas espécies: açafrão, nardo, cálamo-aromático, canela e outras sementes, para sua ocupação. De posse delas, saiu do Paraíso. E nós chegamos à terra.
30 "Assim, meus filhos, narrei-vos o modo como fomos seduzidos. Vós, porém, guardai-vos para que não vos afasteis do bem!"
31 Isso ela disse aos seus filhos, enquanto Adão na sua enfermidade, adormeceu. Um dia antes da sua morte, Ela ainda lhe dizia: "Por que devo eu ficar em vida, enquanto tu morres? Quanto tempo tenho ainda de viver depois da tua morte? Dize-me!" E Adão falou-lhe: "Não te preocupes com isso! Não tardarás a seguir-me. Ambos morreremos da mesma maneira. Tu serás enterrada no mesmo lugar que eu. Mas quando eu estiver morto, deixem-me jazer em paz! Que ninguém me toque, antes que o Anjo do Senhor dispunha de mim! Deus não se esquecerá de mim. Não! Ele terá saudades do vaso que formou à Sua semelhança. Vai e permanece em oração diante de Deus, até que eu tenha devolvido o meu espírito às Suas mãos; nas mãos d'Aquele que mo outorgou! Não sabemos como será, ao comparecermos diante do nosso Criador, se nos receberá com ira ou se nos tratará com misericórdia."
32 Eva levantou-se, saiu e atirou-se ao chão dizendo: "Deus, eu pequei, sim pequei; pequei contra Ti, nosso grande Pai; pequei contra os teus Anjos escolhidos; pequei contra os Querubins e Serafins; pequei contra o Teu trono inabalável; pequei, Senhor, muito pequei. Por obra minha entraram os pecados na Criação". E Eva ainda estava prostrada de joelhos, quando se aproximou dela o Anjo da Humanidade e ordenou que se levantasse: "Eva! Ergue-te da tua penitência! Adão, teu marido, acaba de abandonar o seu corpo. Observa como o seu espírito voa para o seu Criador para colocar-se na Sua presença!"
33 Eva levantou-se e cobriu o rosto com suas mãos. O Anjo disse-lhe: "Ergue-te acima das coisas terrenas!" Ela então olhou na direção do céu e viu aproximar-se um carro de luz, tirado por quatro águias brilhantes. Nenhum nascido do ventre de mulher poderia descrevei" o seu esplendor, nem encará-lo. Adiante do carro vinham Anjos. Chegaram até o lugar onde jazia o vosso pai Adão. Ali o carro se deteve; e entre ele e vosso Pai postavam-se Serafins. Vi turíbulos de ouro e três Conchas, e os Anjos se aproximaram do altar da oferenda com o incenso, os turíbulos e as conchas; sopraram nos turíbulos, e a fumaça que deles emanava encobriu as Fortalezas. Os Anjos prostraram-se ao chão, adoraram a Deus, e suplicaram em alta voz: "Jael Santo! Perdoa! Ele é a Tua imagem, criação das Tuas mãos santas "
34 "E eu Eva ainda vi dois grandes e espantosos mistérios que se postavam em frente à face de Deus. Eu chorei de medo e chamei pelo meu filho Seth: 'Ergue-te do corpo do teu pai Adão, ó Seth! Vem para junto de mim ! Observa o que olho algum jamais viu!"
35 Seth levantou-se e foi para junto de sua mãe, e disse-lhe: "Que se passa contigo? Por que estás a chorar?" Ela respondeu-lhe: "Olha com os teus próprios olhos para o alto e observa as sete Fortalezas abertas; e vê com os teus próprios olhos como o corpo do teu Pai jaz sobre a sua face, e todos os santos Anjos por ele intercedem, dizendo: 'Dá-lhe o teu perdão, Grande Pai! Ele é a Tua imagem'. E agora, meu filho Seth, que significará tudo isso? Quando será ele entregue nas mãos do Pai invisível, do Deus invisível do nosso pai Adão? E quem poderiam ser os dois etíopes que permanecem em oração junto do teu Pai?"
36 Disse então Seth à sua mãe: "São o sol e a lua; eles igualmente desceram para rezar pelo meu pai Adão". E Eva retrucou-lhe: "Onde ficou a sua luz? Por que é tão escura a sua aparência?" Falou Seth: "Eles não conseguem brilhar em face da luz do Todo, ali diante do Pai da Luz. Por isso ocultou-se neles a luz."
37 Isso dizia Seth à sua mãe. Nesse momento, um Anjo soprou a trombeta, e todos os Anjos que estavam prostrados sobre a sua face ergueram-se e exclamaram com voz retumbante: "Louvada seja a majestade do Senhor expressa nas suas criaturas! Deus agora compadeceu-se de Adão, o produto das Suas mãos". Depois desse clamor dos Anjos, veio um dos Serafim de seis asas, ergueu Adão e conduziu-o ao mar arquerôntico. Lavou-o por três vezes e trouxe-o à presença de Deus. Por três horas permaneceu depositado ali; depois disso, o Grande Pai, sentado no seu trono, estendeu as suas mãos, ergueu Adão e entregou-o a Miguel, o Arcanjo, e disse: "Transporta-o ao terceiro céu, no Paraíso, e deixa-o lá permanecer até o grande e terrível Dia que preparei para o mundo!" Então Miguel, o Arcanjo, tomou Adão e colocou-o no lutar que Deus lhe havia ordenado.
38 Depois disso, Miguel, o Arcanjo, solicitou o sepultamento dos Seus restos mortais. E Deus ordenou que todos os Anjos viessem à Sua presença, cada qual segundo sua hierarquia. E todos eles vieram, uns com turíbulos, outros com trombetas. Então o Senhor das cortes celestes partiu; os ventos o transportaram, conduzidos por Querubins; os Anjos do céu iam à Sua frente. Chegaram ao lugar em que jazia o corpo de Adão; tomaram-no consigo. E assim chegaram ao Paraíso, e todas as plantas do Paraíso floresceram; com o seu perfume, todos os filhos de Adão adormeceram, à exceção de Seth. O senhor queria que ele presenciasse o prodígio que tencionava realizar.
39 Perguntou Deus a Adão: "Adão! Por que fizeste isso? Se tivesses sido obediente à minha palavra, não estariam alegres os que te levaram a este ponto. Eu, porém, te digo: converterei a sua alegria em dor, e a tua dor em alegria, e restabelecer-te-ei no teu poder, sobre o trono do Sedutor. E este chegará até aqui e ver-te-á assentado no alto, muito acima dele.
40 "Ele será maldito, juntamente com todos os seus seguidores; ficará atribulado ao ver-te assentado sobre o seu trono sublime". Falou Ele a Miguel, o Arcanjo: "Vai ao Paraíso, no terceiro céu, e toma para mim três panos de linho e três panos de seda!" Disse Deus depois a Miguel, Gabriel, Uriel e Rafael: "Cobri com os panos o corpo de Adão! Trazei óleo aromático! Derramai-o sobre ele! Seja trazido também para cá o corpo de Abel!" E eles o envolveram em outros panos. Ele não havia sido sepultado, desde o dia em que fora trucidado por seu irmão Caim. Este procurou de muitas maneiras ocultá-lo, mas não conseguiu. A terra não o admitiu no seu ventre; ela disse: "Eu não receberei nenhum outro corpo, antes que volte para mim aquele que pela primeira vez de mim foi formado". Assim, naqueles dias, os Anjos tomaram o corpo de Abel e colocaram-no sobre uma pedra até o dia da morte do seu pai Adão. Foram então ambos sepultados no Paraíso, segundo determinação de Deus, no mesmo lugar em que Ele encontrou o barro do qual formou Adão. E Deus mandou cinco Anjos ao Paraíso; levaram muitos perfumes consigo e espalharam-nos no chão. Depois tomaram os dois corpos e enterraram-nos no lugar que haviam cavado e preparado,
41 E Deus chamou: "Adão! Adão!" Então o corpo de Adão respondeu do Seio da terra: "Aqui estou, Senhor". Disse-lhe o Senhor: "Eu te falei: tu procedeste da terra e à terra retornarás Mas neste momento anuncio-te a tua ressurreição. No meu último eu te despertarei, naquela Ressurreição, junta-mente com todos os homens que de ti procederam."
42 Depois dessas palavras, Deus preparou um selo de três ângulos, e com ele selou a sepultura, para que ninguém a violasse no período de seis dias, quando a sua costela de novo se juntaria a ele. Então Deus, amigo dos homens, e com Ele os seus santos Anjos, voltaram à sua morada. Passados seis dias, morreu também Eva. Ainda em vida, ela chorou amargamente por ocasião da morte de Adão, por não saber para onde haviam levado o seu corpo. Quando Adão foi sepultado no Paraíso, na presença do Senhor, ela adormeceu juntamente com todos os seus filhos, à exceção de Seth. Nas suas últimas horas, Eva suplicou que fosse enterrada junto de Adão, seu marido. Ela rogou: "Meu amo e senhor"! Deus de todas as forças! Permite que a tua escrava não fique separada do corpo de Adão! Dos membros dele Tu me formaste. Reputa-me digna, eu indigna e pecadora, de repousar junto dele na sepultura! Eu estive ao lado dele nu Paraíso, e igualmente junto dele após o pecado. Assim, que ninguém nos separe!" Depois dessa súplica, ela ergueu os seus olhos para o céu, suspirou, bateu no peito e disse: "Toma o meu espírito, ó Deus do Todo!" Em seguida, entregou a sua alma a Deus.
43 Na sua morte, estava presente Miguel, o Arcanjo. Três Anjos compareceram e levaram o seu corpo, sepultando-o junto de Adão e Abel. Disse então o Arcanjo Miguel a Seth: "Desta mesma forma sejam sepultados todos os homens. até o Dia da Ressurreição!" Depois dessa determinação disse-lhe ainda o Anjo: "Não guardeis luto por mais de seis dias! No sétimo dia festejar! Alegrai-vos com o morto! Pois Deus e nós, Anjos, também alegramo-nos com a alma do justo que se separa deste mundo". Assim falou o Arcanjo Miguel. Dito isso, ele voltou ao céu caiu louvores e cânticos de Aleluia. Fim

quarta-feira, 23 de março de 2016

A Décima Segunda Tabuleta - o Inicio do reinado Faraônico - O primeiro Faraó

Sinopse da Décima-segunda Tabuleta

O chão seca, as planícies e os vales dos rios se repovoam. 
Ouro em abundância chega das Terras além dos Mares. 
Anu e sua esposa Antu chegam em uma visita memorável. 
Rememorando, os líderes se dão conta de que são marionetes do Destino.
Os líderes atribuem três regiões de civilização para a Humanidade. 
Indultado por Anu ao partir, Marduk mantém sua rebeldia.
A Primeira Região e as instalações espaciais são terras Enlilitas.
A primeira civilização do Homem começa na Primeira Região (Sumer).
Marduk usurpa um lugar para construir uma torre de lançamento ilícita.
Frustrado pelos Enlilitas, Marduk se dá procuração da Segunda Região. 
Depõe e exila a Ningishzidda (Thot) a terras longínquas declara-se a si mesmo Ra, deus supremo, em uma nova religião. 
Dá início aos reinados faraônicos para marcar uma nova civilização. 
Enlil designa a seu filho Ishkur para que proteja as fontes de metal. 
A Inanna lhe concedem os domínios da Terceira Região (o Vale do Indo).
Os deuses concedem a realeza, começam as guerras. 

A DÉCIMA SEGUNDA TABULETA

Anu decidiu ir à Terra uma vez mais; com Antu, sua esposa, desejava vir. Enquanto esperavam sua chegada, os Anunnaki começaram a restabelecer suas moradas no Edin.
Das terras montanhosas, onde moravam os descendentes de Sem, as pessoas de cabeça negra emigraram às terras de antigamente.
Sobre o terreno recém seco, os Anunnaki lhes deixaram assentar-se, para que provessem de mantimentos para todos.
Onde antes do Dilúvio se levantou Eridú, a primeira cidade de Enki, sobre montões de lodo e lama desenhou-se uma nova Eridú.
Em seu centro, sobre uma plataforma elevada, construiu-se uma morada para Enki e Ninki, a chamou Casa do Senhor Cujo Retorno É Triunfante; adornou-se com ouro, prata e metais preciosos que proporcionaram os filhos de Enki.
Em um círculo que assinalava para o céu, plasmaram-se as doze constelações por seus signos.
Abaixo, igual ao Abzu, fluíam as águas cheias de peixes.
Em um santuário, um lugar onde não podiam entrar os que não eram convidados, Enki guardava as fórmulas ME.
Para Enlil e Ninlil se fundou uma nova Nibru-ki sobre o lodo e a lama; em metade das moradas do povo, dos redis e os estábulos, murou-se um recinto sagrado.
Em seu interior se construiu uma morada para Enlil e Ninlil, em sete níveis se elevava; uma escada, que parecia subir ao céu, levava até a plataforma mais elevada.
Ali guardava Enlil suas Tabuletas dos Destinos, com suas armas se protegiam: o Olho Elevado que explora as terras, o Raio Elevado que tudo penetra. No pátio, em seu próprio recinto, guardava-se o veloz Pássaro celeste de Enlil.
Enquanto se aproximava a chegada de Anu e Antu, selecionou-se um novo lugar para sua estadia no Edin, que não fosse nem de Enlil nem de Enki.
Unug-ki, o Lugar Encantador, lhe chamou. Plantaram-se árvores de sombra, e em metade se construiu uma estrutura de um branco puro, a Casa de Anu. Seu exterior se elevava em sete níveis; seu interior era como a residência de um rei. Quando chegou à Terra o carro celestial de Anu, as naves celestes dos Anunnaki se elevaram para ele; lhe dirigiu para que aterrissasse a salvo no Lugar dos Carros, em Tilmun.
Utu, o comandante do Lugar, deu a boa-vinda à Terra a seus bisavôs. Os três filhos de Anu, Enlil, Enki e Ninharsag estavam ali para lhes receber. abraçaram-se e se beijaram, riram e choraram. Quanto tempo, quanto tempo foi a separação! diziam-se uns aos outros. olhavam-se uns aos outros, examinando o passado do tempo: Embora maiores no Shars eram os pais, pareciam mais jovens que os filhos! Aos dois filhos lhes via velhos e com barba; Ninharsag, em outro tempo bela, estava encurvada e enrugada.
Os cinco estavam molhados em lágrimas; mesclavam-se as lágrimas de alegria com as lágrimas de pesar.
Em naves celestes foram levados ao Edin os convidados e seus anfitriões, as naves celestes aterrissaram em um lugar preparado junto ao Unug-ki. Todos os Anunnaki que tinham ficado na Terra estavam de pé como guarda de honra. Salve e bem-vindos! Salve e bem-vindos!, gritavam ao uníssono para o Anu e Antu.
Depois, os Anunnaki acompanharam aos convidados em procissão, cantando e tocando música, até a Casa do Anu.
Na Casa do Anu, Anu se lavou e descansou, mais tarde se perfumou e se vestiu.
Antu foi escoltada pelas mulheres Anunnaki até a Casa do Leito Dourado; em um pátio aberto, enquanto a brisa da tarde fazia ranger as folhas das árvores, Anu e Antu se sentaram sobre tronos. Lhes flanqueando estavam Enlil, Enki e Ninharsag.
Os assistentes, Terrestres que foram completamente nus, serviram vinho e bom azeite; outros, em um rincão do pátio, estavam assando ao fogo um touro e um carneiro, presentes de Enlil e Enki.
Preparou-se um grande banquete para o Anu e Antu, esperava-se o sinal nos céus para começar.
Seguindo as instruções de Enlil, Zumul, que estava instruído em matéria de estrelas e planetas, ascendeu os níveis da Casa de Anu para anunciar a aparição dos planetas na noite.
No primeiro nível apareceu Kishar nos céus orientais, Lahamu se viu no segundo nível, Mummu se anunciou no terceiro nível, Anshar surgiu no quarto nível, Lahmu se viu no quinto nível, a Lua anunciou-se desde o sexto nível.
Depois, a um sinal do Zumul, começou-se a cantar o hino O Planeta do Anu se Eleva nos Céus, pois, do nível mais alto, o sétimo, divisou-se ao avermelhado Nibiru.
Os Anunnaki davam Palmas e dançavam com a música, dançavam e cantavam com a música; cantavam a aquele que aumenta em brilho, ao planeta celestial do senhor Anu. A um sinal se acendeu uma fogueira, vendo-se de lugar em lugar se acenderam mais fogueiras: antes que terminasse a noite, toda a terra do Edin estava acesa com fogueiras!
Depois da comida de carne de touro e carne de carneiro, de pescado e de caça, acompanhada de vinho e cerveja, acompanhou ao Anu e ao Antu a suas dependências para que passassem a noite; Anu e Antu agradeceram a todos os Anunnaki.
Durante vários dias e noites da Terra, Anu e Antu dormiram; ao sexto dia, Anu chamou a seus dois filhos e a sua filha. Escutou seus relatos do acontecido na Terra, soube da paz e da guerra.
Anu soube de como os Terrestres, que tinham que ter sido aniquilados pelo juramento de Enlil, haviam proliferado de novo.
Enlil lhe revelou o descobrimento de ouro na terra além dos oceanos e o lugar do carro que havia ali.
Foi então quando Enki contou a seu pai o sonho e a tabuleta de Galzu.
Anu ficou enormemente desconcertado com isto: Nunca enviei à Terra a um emissário secreto com esse nome! Assim disse Anu aos três líderes. Enki e Enlil estavam desconcertados, olharam-se perplexos um a outro.
Por causa de Galzu se salvaram Ziusudra e a semente de vida!, disse Enki. Devido ao Galzu nos ficamos na Terra!, disse Enlil a seu pai. O dia que voltarem para o Nibiru morrerão, disse-nos Galzu. Incrédulo disto estava Anu; a mudança de ciclos, certamente, causava estragos, mas se podia curar com elixires! De quem era o emissário Galzu, se não era teu?, disseram ao uníssono Enki e Enlil.
Quem tinha querido salvar aos Terrestres, quem fez que ficássemos na Terra?
Ninharsag moveu a cabeça lentamente: Galzu apareceu pelo Criador de Tudo!
A criação dos Terrestres também estava destinada, disso devo me maravilhar! Durante um momento guardaram silêncio os quatro; cada um rememorou em seu coração acontecimentos do passado. Enquanto nós decretávamos fados, a mão do destino dirigia cada passo! Assim disse Anu. A vontade do Criador de Tudo é evidente: Na Terra e para os Terrestres, só emissários somos. A Terra pertence aos Terrestres, nos utilizou para preservá-los e para lhes fazer avançar! Se essa for nossa missão aqui, atuemos de acordo com isso! Assim disse Enki.
Os grandes Anunnaki que decretam os fados intercambiaram conselhos no referente às terras: os Grandes Anunnaki decidiram criar regiões civilizadas, para proporcionar nelas conhecimentos à Humanidade; fundar Cidades de Homem, criar nelas recintos sagrados como morada para os Anunnaki; estabelecer a realeza na Terra, igual a no Nibiru, dar coroa e cetro a um homem escolhido; transmitir através dele a palavra dos Anunnaki ao povo, fazer cumprir o trabalho e a destreza; estabelecer nos recintos sagrados um sacerdócio, para servir e dar culto aos Anunnaki como senhores nobres.
Ensinar os conhecimentos secretos, transmitir a civilização à Humanidade.
Os Anunnaki resolveram criar quatro regiões, três para a Humanidade, uma restringida: estabelecer a primeira região na antiga terra do Edin, sob o domínio de Enlil e seus filhos; para seguir depois com a segunda região na Terra dos Dois Estreitos, para que dirigissem Enki e seus filhos; a terceira região concedeu a Inanna em uma terra distante, para que não se mesclasse com as outras dois; a quarta região, consagrada só para os Anunnaki, seria a península do Lugar dos Carros.

Vem agora o relato da viagem de Anu às terras de além dos oceanos, e de como na Primeira Região se restabeleceram cidades para os Anunnaki.
Tendo tomado as decisões a respeito das quatro regiões e das civilizações da Humanidade, Anu perguntou por seu neto Marduk. Devo lhe ver de novo!, disse Anu aos líderes.
Se eu mesmo causei a cólera de Marduk ao convidar ao Dumuzi e ao Ningishzidda ao Nibiru! Perguntava-se Anu; desejava reconsiderar o castigo de Marduk.
Quando fizer sua viagem às terras de além dos oceanos, lhe dirá ao Marduk que se encontre contigo! A terra por onde vaga está naquelas partes da Terra! Assim disse Enlil a Anu.
Antes do casal real ir às terras distantes, Anu e Antu inspecionaram o Edin e suas terras; visitaram Eridú e Nibru-ki, viram onde se planejaram as cidades da primeira região.
No Eridú, Enlil se queixou de Enki: Enki guarda para si as fórmulas ME! Anu, sentado no assento de honra, disse palavras de louvor a Enki: Meu filho construiu uma magnífica casa para si, belamente sobre uma plataforma está elevada.
Enki dará grandes conhecimentos às pessoas que rodeiam e servem à Casa; agora, os conhecimentos que se guardam em segredo nos ME, devem ser compartilhados com outros Anunnaki!
Enki se sentiu irritado; prometeu a Anu compartilhar com todos as fórmulas divinas. Nos dias posteriores, Anu e Antu inspecionaram as outras regiões em naves celestes. Depois, no décimo sétimo dia, o casal real voltou para o Unug-ki para descansar uma noite mais. À manhã seguinte, quando os Anunnaki mais jovens chegaram ante Anu e Antu para serem abençoados, Anu se afeiçoou por sua bisneta Inanna; estreitou-a, abraçou-a e a beijou. Tenham-se em conta todas meus palavras!, anunciou aos congregados: Este lugar, depois formos embora, dê a Inanna como dote, seja meu presente para a Inanna a nave celeste na qual inspecionamos a Terra! Com regozijo, Inanna se pôs a dançar e a cantar, seus louvores a Anu chegariam a serem cantados como hinos com o passar do tempo. Depois, despedindo-se dos Anunnaki, Anu e Antu partiram para as terras de além dos oceanos.
Enlil e Enki, Ninurta e Ishkur, foram com eles à terra dourada. Para impressionar a Anu, o rei, com as grandes riquezas de ouro, Ninurta construiu para Anu e Antu uma morada; seus blocos de pedra, esculpidos à perfeição, estavam talhados por dentro de ouro puro.
Um recinto dourado, com flores de coralina esculpida, esperava ao casal real!
À beira de um grande lago da montanha se erigiu a morada.
Mostrou aos visitantes como se recolhiam as sementes de ouro.
Aqui há ouro suficiente para muitos Shars vindouros!, disse Anu satisfeito.
Em um lugar próximo, Ninurta mostrou a Anu e ao Antu um montículo artificial, Ninurta explicava como foi feito um lugar para fundir e refinar metais.
Mostrou-lhes como se extraía um novo metal das pedras: Anak, Anunnaki feito, chamou-o, mostrou-lhes como, ao combiná-lo com o abundante cobre, tinha inventado um forte metal.
No grande lago, desde cujas costas chegam os metais, Anu e Antu navegaram.
O Lago do Anak o chamou Anu, a partir de então foi seu nome.
Depois, das terras do norte, terras onde se caçavam grandes bestas com chifres, veio Marduk ante seu pai Enki e seu avô Anu; Nabu, seu filho, estava com ele.
Quando Enki perguntou por Sarpanit, Marduk lhes falou com pesar de sua morte.
Agora, só Nabu fica comigo!, disse Marduk a seu pai e a seu avô.
Anu estreitou contra seu peito a Marduk: Suficiente foste castigado!, disse-lhe; pondo a mão direita na cabeça do Marduk, Anu benzeu ao Marduk para ser perdoado.
Do lugar dourado, acima nas montanhas, todos os que se reuniram foram até a planície de baixo.
Ali, estendendo-se até o horizonte, Ninurta tinha preparado um novo lugar para os carros.
O carro celestial de Anu e Antu estava ali preparado, carregado até os batentes de ouro.
Quando chegou a hora de partir, Anu disse a seus filhos palavras de despedida e de orientação:
Seja o que seja o que o Destino pretende da Terra e dos Terrestres, deixem que assim seja!
Se o Homem, e não os Anunnaki, está destinado a herdar a Terra, ajudemos ao destino. Dêem o conhecimento à Humanidade, lhes ensinem até certa medida os segredos do céu e da Terra, lhes ensinem leis de justiça e retidão. Estas instruções deu, fraternalmente, Anu a seus filhos. Uma vez mais se estreitaram, abraçaram-se e se beijaram, e do novo lugar dos carros Anu e Antu partiram para o Nibiru. O primeiro em romper o pesaroso silêncio foi Marduk; suas palavras levavam ira:
O que é este novo Lugar dos Carros Celestiais?, exigiu uma explicação de outros.
O que ocorreu depois de meu exílio sem meu conhecimento? Quando Enki lhe falou com Marduk das decisões das quatro regiões, a fúria de Marduk não conheceu limites: por que tem que ter Inanna, causador da morte de Dumuzi, sua própria região? As decisões foram tomadas, não se podem alterar! Assim lhe disse Enlil a Marduk.
Voltaram para o Edin e às terras adjacentes em naves celestes separadas.
Pressentindo problemas, Enlil deu instruções ao Ishkur para que ficasse atrás, para vigiar o ouro.
Para comemorar a visita do Anu, introduziu-se uma nova conta do passo do tempo: por anos da Terra, não pelo Shars do Nibiru, para contar o que acontecesse na Terra.
Na Era do Touro, dedicada ao Enlil, começou a conta de anos da Terra.
Quando os líderes retornaram ao Edin, o lugar da primeira região civilizada, os Anunnaki ensinaram aos Terrestres como fazer tijolos com o barro, para com eles construir cidades. Mas onde uma vez só se levantaram as cidades dos Anunnaki, levantaram-se agora cidades tanto para eles como para os Terrestres, nas novas cidades se consagraram recintos sagrados para os grandes Anunnaki, nelas, proporcionou aos Anunnaki nobres moradas, às que a Humanidade chamou Templos; neles, servia-se e se dava culto aos Anunnaki como Senhores Nobres, lhes honrava com fila-números, a linha sucessória à Humanidade fizeram saber:
Anu, o celestial, tinha a fila de sessenta, ao Enlil lhe deu a fila de cinqüenta, a Ninurta, seu filho principal, Enlil lhe concedeu a mesma fila. O seguinte na sucessão era o senhor Enki, sustentava a fila de quarenta; ao Nannar, o filho do Enlil e Ninlil, lhe atribuiu a fila de trinta. A seu filho e sucessor, Utu, tocou-lhe a fila de vinte; ao resto dos filhos dos líderes Anunnaki lhes concedeu o rango-número de dez. As filas dos cincos se compartilharam entre as mulheres Anunnaki e as esposas.
Depois de que se terminassem Eridú e Nibru-ki e suas morada-templos, construiu-se no Lagash o recinto do Girsu para Ninurta, ali se guardava Ninurta e Bau, sua esposa; O Caçador Supremo e o Golpeador Supremo, armas que lhe desse de presente Anu, protegiam o Eninnu. Onde tinha estado Sippar antes do Dilúvio, em cima de um solo elevado, Utu fundou uma nova Sippar. No Ebabbar, a Casa Brilhante, levantou-se uma morada para o Utu e sua esposa Aia.
Dali, Utu promulgou leis de justiça para a Humanidade. Onde a causa do lodo-lama não se pôde seguir os planos de antanho, se escolheram novas convocações. Adab, uma convocação não distante do Shurubak, converteu-se no novo centro do Ninharsag. Ali, sua morada-templo recebeu o nome da Casa do Socorro e do Conhecimento Curador; em seu santuário guardou Ninharsag os ME de como se criou aos Terrestres.
Ao Nannar lhe proporcionou uma cidade com retas ruas, canais e moles; Urim era seu nome, a morada-templo lhe chamou Casa da Semente do Trono, refletia os raios da Lua sobre suas terras.
Ishkur voltou para as terras montanhosas do norte, sua morada se chamou a Casa das Sete Tormentas.
Inanna residiu no Unug-ki, vivia na morada que Anu lhe tinha dado.
Marduk e Nabu viveram no Eridú, no Edin não tinham suas próprias moradas.

Vem agora o relato da primeira Cidade dos Homens e da realeza na Terra, e de como Marduk tramou construir uma torre e de onde Inanna roubou os ME.
Na Primeira Região, nas terras do Edin e nas cidades com recintos, seus senhores Anunnaki ensinaram trabalhos e ofícios aos Terrestres. Não muito depois se irrigaram os campos, logo as embarcações navegaram por canais e rios; redis e celeiros estavam transbordantes, a prosperidade enchia a terra. Ki-Engi, Terra dos Nobres Vigilantes, se chamou à Primeira Região. Depois, decidiu-se deixar que as pessoas de cabeça negra tivesse uma cidade para eles mesmos.
Kishi, Cidade Cetro, chamou-se, no Kishi começou a realeza do Homem. Ali, em terreno consagrado, Anu e Enlil implantaram o Objeto Brilhante Celestial.
Nele, Ninurta designou ao primeiro rei, Homem Poderoso foi seu título real. Para fazê-lo centro da Humanidade Civilizada, Ninurta viajou ao Eridú para obter de Enki as tabuletas ME que conservavam as fórmulas divinas para a realeza. Com o traje adequado, Ninurta entrou no Eridú com respeito, perguntou pelos ME da realeza:
Enki, o senhor que salvaguarda todos os ME, concedeu a Ninurta cinqüenta ME. No Kishi, ensinou às pessoas de cabeça negra a calcular com números, a celestial Nisaba lhes ensinou a escrever, a celestial Ninkashi lhes mostrou como fazer cerveja.
No Kishi, dirigidos por Ninurta, proliferou o trabalho do forno e a ferraria, carretas com rodas, puxadas por asnos machos, criaram-se habilmente no Kishi.
No Kishi se promulgaram leis de justiça e de reta conduta.
Foi no Kishi onde o povo compôs hinos de louvor a Ninurta: de suas heróicas façanhas e vitórias cantavam, de seu terrorífico Pássaro Negro cantavam, de como tinha submetido aos bisões em terras longínquas, como tinha encontrado o metal branco para mesclá-lo com o cobre.
Foi um tempo glorioso para Ninurta, com a Constelação do Arqueiro lhe honrou.
Enquanto isso, Inanna esperava seu senhorio na Terceira Região, Enquanto isso, exigia dos líderes seus domínios.
A Terceira Região virá depois da segunda!, asseguravam-lhe os líderes.
Depois de ver como Ninurta tinha ido ao Eridú, como tinha obtido o ME da realeza, Inanna urdiu um plano em seu coração, tramou a obtenção do ME de Enki.
Enviou a sua donzela de câmara Ninshubur ao Eridú, para anunciar uma visita de Inanna.
Depois de ouvir isto, Enki deu rapidamente instruções ao Isimud, seu mordomo: A donzela, completamente só, dirige seus passos até minha cidade do Eridú, Quando chegar, completamente sozinha, fá-la entrar em minhas câmaras interiores.
Lhe ponha água fria para que refresque seu coração, lhe dê bolos de cevada com manteiga, prepara vinho doce, enche vasilhas de cerveja até o bordo!
Quando Inanna entrou sozinha na morada de Enki, Isimud seguiu as ordens do Enki; depois, quando Enki recebeu a Inanna, viu-se afligido pela beleza da Inanna:
Inanna ia cheia de jóias, através de seu fino vestido se revelava seu corpo.
Quando se inclinava, Enki admirava completamente sua vulva.
Beberam vinho doce das taças de vinho, competiram em beber cerveja. Mostre-me os ME!, disse-lhe Inanna a Enki brincando, Deixa que sustente um ME em minha mão! Sete vezes no transcurso da competição Enki deixou Inanna sustentar os ME, as fórmulas divinas do senhorio e a realeza, do sacerdócio e o tabelionato, Enki lhe deixou sustentar a Inanna os ME do traje amoroso e da guerra; da música e do canto, do trabalho da madeira, os metais e as pedras preciosas, os noventa e quatro ME necessários para os reinos civilizados deu Enki a Inanna. Sujeitando com força seus prêmios, Inanna fugiu do dormitório de Enki; apressou-se em chegar a seu Navio do Céu, deu instruções de elevar-se e afastar-se a seu piloto. Quando Isimud despertou ao Enki de seu sonho. Prende a Inanna!, disse Isimud. Quando Enki ouviu do Isimud que Inanna já tinha partido em seu Navio do Céu, deu instruções ao Isimud para que perseguisse a Inanna na nave celeste de Enki. Tem que recuperar todos os ME!, disse-lhe.
Isimud interceptou o Navio do Céu da Inanna nas cercanias do Unug-ki, a fez voltar para o Eridú e enfrentar-se à ira de Enki.
Mas quando Inanna foi levada de volta ao Eridú, os ME não estavam com ela: os tinha dado à sua donzela de câmara, Ninshubur, à Casa do Anu en Unug-ki os tinha levado Ninshubur. Em nome de meu poder, em nome de meu pai Anu, ordeno que me devolvas os ME!
Assim lhe falou Enki, enfurecido, a Inanna; em sua morada a deixou cativa. Quando ouviu isto, Enlil foi ao Eridú a enfrentar-se com seu irmão. Em justiça obtive os ME, o mesmo Enki os pôs em minhas mãos! Assim o disse Inanna a Enlil; verdade que Enki admitiu. Quando chegar a seu fim o tempo do Kishi, a realeza passará ao Unug-ki declarou Enlil.
Quando Marduk ouviu tudo isto, enfureceu-se enormemente, sua ira não conheceu limites.
Suficiente foi minha humilhação!, gritou-lhe Marduk a seu pai Enki.
Imediatamente, exigiu de Enlil uma cidade sagrada para si mesmo no Edin.
Mas Enlil não teve em conta a petição de Marduk, e Marduk tomou em suas próprias mãos o fado.
Considerou um lugar que tinha sido selecionado para a chegada do Anu, antes que se decidissem pelo Unugki, chamou a Nabu, aos Igigi e a seus descendentes desde suas terras dispersas, para fundar uma cidade sagrada para Marduk, um lugar para naves celestes!
Quando seus seguidores reunidos no lugar não encontraram pedras com as que construir, Marduk lhes mostrou como fazer tijolos e cozê-los ao fogo, para que servissem como pedras; com tudo isto, começaram a construir uma torre cujo topo pudesse alcançar os céus.
Enlil se apressou em ir ao lugar para frustrar o plano, tentou aplacar a Marduk com palavras de calma; mas não conseguiu deter o Marduk e ao Nabu em sua empresa.
Enlil reuniu a seus filhos e netos no Nibru-ki; consideraram todos o que podiam fazer.
Marduk está construindo um Pórtico ao Céu não permitido, o está confiando aos Terrestres!
Assim disse Enlil a seus filhos e netos.
Se permitirmos que isto ocorra, nada de quanto se proponha a Humanidade deixará de alcançá-lo!
Terá que deter este malvado plano!, disse Ninurta; todos concordaram nisso.
Era de noite quando, desde o Nibru-ki, chegaram os Anunnaki enlilitas, desde suas naves celestes deixaram cair sobre a torre em construção fogo e enxofre; à torre e a todo o acampamento deram fim por completo. Então, Enlil decidiu dispersar o líder e a seus seguidores, Enlil decretou confundir seus conselhos no sucessivo, destruir sua unidade: até agora, todos os Terrestres tinham uma só linguagem, em uma única língua falam.
No sucessivo confundirei sua linguagem, para que não se compreendam entre si!
Tudo isto aconteceu no ano trezentos e dez desde que começasse a conta dos anos da Terra: em cada região e em cada terra fez falar às pessoas em línguas diferentes, depois deu a cada povo uma forma diferente de escritura, para que não se pudessem compreender uns a outros.
Vinte e três reis reinaram no Kishi, durante quatrocentos e oito anos foi a Cidade do Cetro; também foi no Kishi que um amado rei, Etana, foi levado a um viagem celestial.
Que no tempo atribuído se transfira a realeza ao Unug-ki! Assim o decretou Enlil.
Até seu chão se transferiu o Objeto Brilhante Celestial desde o Kishi. Quando lhe anunciou ao povo a decisão, cantaram a Inanna um hino de exaltação.
Dama dos ME, Reina, brilhante resplandecente, justa, vestida radiante, amada do céu e a Terra; pelo amor do Anu consagrada, portadora de grandes adorações, sete vezes obteve os ME, em sua mão os sustenta. Destinados para a tiara da realeza, adequados para o supremo sacerdócio, Dama dos grandes ME, deles é a guardiã! No ano quatrocentos e nove desde que começou a conta dos anos da Terra, se transferiu ao Unug-ki a realeza da Primeira Região; seu primeiro rei foi o supremo sacerdote da morada do templo de Eanna, filho de Utu era!
Quanto ao Marduk, foi à Terra dos Dois Estreitos, esperava ser o senhor da Segunda Região, una vez se estabelecesse.

Vem agora o relato de como se estabeleceram a Segunda e a Terceira Região, e de como Ningishzidda foi exilado e Unug-ki ameaçou a Aratta.
Quando Marduk, depois de uma larga ausência, voltou para a Terra dos Dois Estreitos, encontrou ali a Ningishzidda como seu senhor, seu Nobre Senhor era Ningishzidda.
Ningishzidda fiscalizava as terras com a ajuda dos descendentes dos Anunnaki que se haviam casado com Terrestres, o que uma vez Marduk tinha planejado e instruído, Ningishzidda o tinha revogado.
O que é o que passou?, exigiu saber Marduk.
Marduk acusou a Ningishzidda da destruição do oculto, de fazer partir para o Horon a um lugar deserto, um lugar que não tem água, um lugar sem limites onde não desfrutava de prazeres sexuais!
Os dois irmãos montaram um alvoroço, embarcaram-se em uma amarga disputa.
Disposta atenção, aqui estou em meu próprio lugar!, disse Marduk a Ningishzidda.
Você tiraste meu sítio; de agora em diante, só será um ajudante meu.
Mas se se sente inclinado para a rebelião, a outra terra terá que te largar!
Durante trezentos e cinqüenta anos da Terra, estiveram brigando os irmãos na Terra dos Estreitos. Durante trezentos e cinqüenta anos, esteve a terra no caos, houve diferenças entre os irmãos.
Então, Enki, o pai de ambos, disse a Ningishzidda: Pelo bem da paz, parte para outras terras!
Ningishzidda optou por ir a uma terra de além dos oceanos, com um grupo de seguidores se foi ali.
Seiscentos e cinqüenta anos da Terra era nesse momento a conta, mas nos novos domínios, onde a Ningishzidda lhe chamou a Serpente Alada, começou uma nova conta própria.
Na Terra dos Dois Estreitos se estabeleceu a Segunda Região sob o senhorio do Marduk; nos anais da Primeira Região lhe chamou Magan, Terra do Rio das Cascatas.
Mas, para a gente da Segunda Região, quando as línguas se confundiram, se lhe chamou a partir de então Hem-Lha, a Terra Marrom Escura. Na nova língua chamou os Anunnaki Neteru, os Vigilantes Guardiãs. Marduk foi adorado como Ra, o Brilhante; a Enki lhe venerou como Ptah, o Construtor.
A Ningishzidda se renomeou como Tehuti, o Medidor Divino; para apagar sua memória, Ra substituiu sua imagem no Leão de Pedra pela de seu filho Assar. Ra fez que o povo contasse por dez, não por sessenta; também dividiu o ano em doze, substituiu a observação da Lua pela observação do Sol. Enquanto sob o senhorio do Tehuti se restabeleceram as antigas Cidades do Norte e Cidade do Sul, Marduk/Ra uniu em uma só Cidade da Coroa as duas terras, a do Norte e a do Sul. Um rei, um descendente do Neteru e Terrestre, designou ali; Mena foi seu nome. Onde as duas terras se encontram e o grande rio divide, Ra fundou uma Cidade do Cetro. Deu-lhe esplendor para ultrapassar ao Kishi, na Primeira Região, e a chamou de Mena-Nefer, a Beleza da Mena. Para honrar a seus maiores, Ra construiu uma cidade sagrada, para honrar ao rei de Nibiru a chamou Annu; ali, sobre uma plataforma, erigiu uma morada-templo para seu pai Enki-Ptah, seu ápice, dentro de uma alta torre, saía para o céu como um foguete afiado. Em seu santuário, Ra depositou a parte superior de sua Barca Celestial, e a chamou Ben-Ben; era aquela na qual tinha viajado do Planeta dos Inumeráveis Anos. No dia de Ano Novo, o rei realizava as cerimônias como Sumo Sacerdote, unicamente nesse dia, entrava sozinho na profunda Sala da Estrela, ante o Ben-Ben punha as oferendas. Para beneficiar à Segunda Região, Ptah deu a Ra todo tipo de ME.
O que sei eu que você não saiba?, perguntou-lhe o pai a seu filho. Deu a Ra todo tipo de conhecimento, menos o de reviver aos mortos. Como um Grande dos Doze Celestiais, Ptah atribuiu a Ra a constelação do signo do Carneiro.
Ptah regulou o fluxo da água do Hapi, o grande rio do país, para a Ra e seu povo, não demorou para chegar a abundância aos férteis chãos, homens e gados se multiplicaram.
Os líderes se animaram com o êxito da Segunda Região; procederam a estabelecer a Terceira Região.
Decretaram fazê-la domínio de Inanna, tal como lhe tinha prometido.
Como corresponde à senhora de uma região, lhe atribuiu uma constelação celestial: previamente, junto com seu irmão Utu, compartilhava a Estação dos Gêmeos, a partir de então, como presente do Ninharsag, sua própria Constelação da Donzela atribuiu a Inanna; no ano oitocentos e sessenta, segundo a conta dos anos da Terra, honrou-se assim a Inanna.
Longe, nas terras orientais, além das sete cadeias montanhosas, estava a Terceira Região.
Zamush, Terra das Sessenta Pedras Preciosas, chamou a seu reino das terras altas.
Aratta, o Reino Arborizado, estava localizado no vale de um grande rio sinuoso; na grande planície, as pessoas cultivavam cereais e pastoreavam o gado.
Também se construíram duas cidades com tijolos de barro, encheram-nas de celeiros.
Como exigia o decreto de Enlil, o Senhor Enki, Senhor da Sabedoria, designou uma nova língua para a Terceira Região, um novo tipo de signos de escritura elaborou para ela, em sua sabedoria, Enki criou para a Aratta uma língua de homem até então desconhecida; mas Enki não deu os ME dos reino civilizados à Terceira Região: Que Inanna compartilhe com a nova região o que obteve para o Unug-ki!, declarou Enki.
Na Aratta, Inanna designou um pastor-chefe, era parecido a seu amado Dumuzi.
Inanna viajava em sua nave celeste do Unug-ki a Aratta, voava sobre montanhas e vales.
Tinha em muita estima as pedras preciosas do Zamush, levava com ela lápis lázuli puro até o Unug-ki.
Naquele tempo, o rei no Unug-ki era Enmerkar, era o segundo em reinar ali; foi ele o que expandiu as fronteiras do Unug-ki, por suas glórias se exaltou a Inanna.
Foi ele o que cobiçava a riqueza da Aratta, tramou conseguir a supremacia sobre a Aratta. Enmerkar despachou em direção à Aratta a um emissário para exigir as riquezas de Aratta como tributo. Sobre as sete cadeias montanhosas, cruzando terras ressecadas e, depois, empapado pelas chuvas, o emissário foi até a Aratta, repetiu-lhe palavra por palavra ao rei de Aratta as exigentes palavras de Enmerkar. O rei de Aratta era incapaz de entender sua língua; soava-lhe igual a um zurro de um burro.
O rei de Aratta deu ao emissário um cetro de madeira no que tinha inscrito uma mensagem.
A mensagem do rei pedia que Unug-ki compartilhasse com a Aratta os ME, como presente real para o Unug-ki se carregou muitos burros com cereais, foram com o emissário até o Unug-ki. Quando Enmerkar recebeu o cetro inscrito, ninguém compreendeu sua mensagem em Unug-ki.
Levou-o da luz à sombra, levou-o da sombra à luz; Que classe de madeira é esta?, perguntou.
Depois, ordenou que a plantassem no jardim. Passaram cinco anos, passaram dez anos, do cetro cresceu um arbusto, era um arbusto de sombra.
O que faço?, perguntou-lhe o frustrado Enmerkar a seu avô Utu. Utu intercedeu com a celestial Nisaba, senhora dos escribas e da escritura.
Nisaba ensinou ao Enmerkar a inscrever sua mensagem em uma tabuleta de argila, era na língua da Aratta.
A mensagem se entregou por mão de seu filho Banda: Submissão ou guerra!, dizia.
Inanna não abandonou Aratta, Aratta não se submeterá ao Unug-ki!, disse o rei da Aratta.
Se Unug-ki desejar a guerra, que se encontrem um guerreiro e um guerreiro! Melhor ainda, trocaremos tesouros pacificamente; que Unug-ki dê seu ME em troca das riquezas da Aratta!
No caminho de volta, levando a mensagem de paz, Banda caiu doente; seu espírito lhe deixou.
Seus camaradas lhe levantaram o pescoço, estava sem fôlego de vida; no Monte Hurum, no caminho da Aratta, Banda foi abandonado a sua morte, Unug-ki não recebeu as riquezas de Aratta, Aratta não obteve os ME do Unug-ki.
Na Terceira Região, a Humanidade Civilizada não floresceu de todo.